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Tragédia iminente

É gravíssima a situação no canteiro de obras das eclusas de Tucuruí, invadido pela enésima vez por integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens, Via Campesina, MST e associações de pescadores, que expulsaram os operários e tomaram máquinas e equipamentos que requerem manuseio especializado.

O perigo de uma tragédia é iminente e real, com consequências funestas não só para o andamento da obra, mas principalmente com risco de morte dos invasores e da população que vive no entorno. É que a fábrica de gelo, necessária para misturar o concreto – mistura de cimento, gelo e agregados – de modo a garantir sua alta qualidade, tem um reservatório com 7,5 toneladas de amônia, produto de alta toxicidade, explosivo e letal em concentrações de 15 a 30% em volume. Se os invasores causarem vazamento da substância, resultará num acidente ambiental de proporções catastróficas.

A amônia, cujo símbolo químico é NH3, é constituída de um átomo de nitrogênio e três de hidrogênio, e se apresenta como gás à temperatura e pressão ambientes. Para se ter uma idéia do enorme perigo, sob pressão atmosférica a -33,35 ºC, ela se liquefaz. É altamente higroscópica (capacidade de absorver a umidade) e sua reação com a água forma NH4OH, hidróxido de amônia, líquido na temperatura ambiente, que tem as mesmas propriedades químicas da soda cáustica (!). É estável quando armazenada e utilizada em condições normais de estocagem e manuseio. Acima de 450ºC, pode se decompor, liberando nitrogênio e hidrogênio. Mais: a amônia oferece risco de explosão, quando exposta ao calor ou chama. A presença de óleo e outros materiais combustíveis aumenta o risco de incêndio. E os invasores armaram acampamento no local e, é claro, farão fogo para preparar alimentos!

Não à toa a Polícia Federal é responsável pelo licenciamento do produto. Em contato com halogênios, boro, dicloroetano, óxido de etileno, platina, triclorato de nitrogênio e fortes oxidantes, além de metais pesados e seus compostos, a amônia causa reações violentas ou explosivas. O contato com cloro e seus compostos libera gás cloroamina. Também é explosiva em mistura com hidrocarbonetos, e incompatível com aldeído, acético, acroleína, dridrazina e ferrocianeto de potássio.

De acordo com especialistas, o gás é um irritante poderoso das vias respiratórias, olhos e pele. Os efeitos vão de irritações leves a severas lesões corporais. A inalação causa dificuldades respiratórias, broncoespasmo, queimadura da mucosa nasal, faringe e laringe, dor no peito e edema pulmonar. A ingestão provoca náusea, vômitos e inchaço nos lábios, boca e laringe. A amônia produz, em contato com a pele, dor, eritema e vesiculação. Em altas concentrações, necrosa os tecidos e faz queimaduras profundas. O contato mínimo com os olhos gera irritação e lacrimejamento. Em concentrações mais altas, provoca conjuntivite, erosão na córnea e cegueira. E ainda podem acontecer reações tardias, como fibrose pulmonar, catarata e atrofia da retina.

A exposição a níveis acima de 2.500 ppm (partes por milhão), durante 30 minutos, pode ser fatal. Se houver, por exemplo, danos à fábrica de gelo das eclusas por impacto externo de equipamentos móveis, como empilhadeiras, é grande o risco de vazamento com formação de nuvem tóxica de amônia e explosões.

A conduta omissiva do Estado em relação ao bem patrimonial público, no caso das eclusas de Tucuruí, é gritante, e deve ser responsabilizado por isso. O governo federal tem obrigação de, através das Forças Armadas, garantir a segurança em obras e bens que constituam meios ou instrumentos de atuação estatal para cumprimento do interesse da coletividade. Afinal, trata-se de projeto público, de desenvolvimento socioeconômico, preservação ambiental e defesa nacional. E já se perdeu a conta das vezes em que tanto a usina quanto o canteiro de obras das eclusas foram invadidos, com motivação notoriamente político-eleitoreira, de modo irresponsável, em detrimento da integridade física e do direito de ir e vir da população do Pará.

Ora, entre as medidas básicas de segurança figuram a permanência do menor número possível de trabalhadores na sala de máquinas e somente os especializados em manutenção e operação dos equipamentos, altamente treinados inclusive com planos de emergência para ações em caso de vazamento. E pensar que uma população inteira está literalmente entregue aos humores de invasores, em precárias instalações e com evidente despreparo para lidar com esse tipo de situação!

Em julho de 2003, em Natal (RN), um vazamento de amônia em empresa de beneficiamento de camarão vitimou 127 trabalhadores. Foi quando chamou a atenção a elevada probabilidade de ocorrência de outros acidentes graves semelhantes.

E agora, governadora? E aí, presidente Lula?

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