Publicado em: 26 de dezembro de 2025
A bancada federal do Pará dormiu e o Governo do Pará comeu mosca. A Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram o Projeto de Lei 4402/23, da deputada Lídice da Mata (PSB-BA) e o presidente Lula sancionou a Lei 15.289/25, que confere ao município de Ilhéus (BA) o título de Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate, já publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (19).
Acontece que o Pará é o maior produtor de cacau do Brasil, e o município de Medicilândia, no sudoeste do Estado, é o maior produtor de amêndoas de cacau do país, este sim merecedor do título em lei.
Tem mais: a produtividade paraense alcança 847 Kg por hectare, superando tanto a média nacional, de 483 kg/ha, quanto a do continente africano, maior produtor global, com média de 500 kg/ha. Em Medicilândia esse número é ainda mais impressionante: 1.190 kg/ha. O diferencial parauara vai além dos números: significa produzir mais em uma área menor. Para efeito de comparação, a Bahia, que até 2016 liderava a produção nacional, utiliza 425 mil hectares para cultivar cacau. O Pará, com 229 mil hectares plantados, atinge resultados muito superiores em produtividade.
Localizado na Região de Integração do Xingu, Medicilândia é reconhecido pelo solo fértil — a chamada “terra roxa” — e pelo cultivo que margeia a BR-230 (Transamazônica), eixo geográfico da maior produção de cacau em solo paraense. O sucesso da região se deve, na maioria, à adoção do Sistema de Agricultura Familiar, que alia produção agrícola à recuperação ambiental, com foco em sustentabilidade e qualidade.
É inegável a importância estratégica da cacauicultura paraense, que reúne mais de 32 mil produtores, gera R$ 358 milhões em ICMS ao Estado e cuja meta é aproveitar esse fantástico potencial e elevar o Pará ao protagonismo global, com excelência na produção de amêndoas, verticalização da cadeia e a adoção de boas práticas agroflorestais.
Além do eixo da Transamazônica/Xingu, a produção de cacau e chocolate se espraiou no Nordeste e Sudeste paraense, Baixo Tocantins e Região Metropolitana de Belém, onde 70 empreendimentos funcionam na Ilha do Combu. Os produtos da Gaudens Chocolate, empresa de Belém, do chocolatier Fábio Sicília, que utiliza cacau nativo da região e ingredientes locais como cupuaçu e bacuri para criar um chocolate fino e artesanal, colecionam prêmios nacionais e internacionais.
Há muito o Pará superou a Bahia em volume e se consolidou como líder, adotando práticas sustentáveis e tecnologias inovadoras, impulsionando a bioeconomia amazônica, produzindo amêndoas de alta qualidade com sabores regionais, mais da metade da produção nacional. A Bahia, historicamente dominante, é o segundo maior produtor nacional, e os dois estados são responsáveis por cerca de 96% do total brasileiro.
O Pará tem tudo para ser também um polo de turismo do cacau. Precisa de melhores rodovias; transporte rodoviário, aquaviário e aeroviário digno e acessível, tanto para cargas quanto para passageiros; linhas especiais de crédito e saneamento básico.



















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