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Foto: Erik Jennings
A jornalista Ronilma Santos, correspondente da Folha de São Paulo em Santarém, publicou matéria no jornal sobre a balneabilidade da praia de Alter-do-Chão, mostrando que pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa aponta ter sido detectada a presença de coliformes totais e de termotolerantes em mais de 80% das amostras. Por causa disso, foi alvo de críticas e tentativas de desmoralização por alguns integrantes da assessoria de imprensa da Prefeitura. É o exemplo típico – e desgraçadamente muito frequente – dos que, pagos com o dinheiro público para servir de canal aberto de forma permanente com a sociedade, comportam-se como pitbulls, fazendo papel avesso ao seu dever: semeiam a discórdia e sonegam informação, expondo o governante a que assessoram, que, ao invés de ser protegido fica no olho do furacão pela postura dos que deveriam promover o diálogo e o entendimento. Cada vez mais assistimos a tal conduta, principalmente nas redes sociais. O resultado vem a galope para os políticos assessorados: na campanha eleitoral, viram repositório de toda a antipatia e ódio que lhes foi granjeado pelos próprios assessores. A História está aí para quem quiser constatar. Como diz o caboclo: errar é humano, persistir no erro é burrice. 

É evidente que o único caminho razoável é a Prefeitura divulgar (e efetivamente tomar!) medidas para o bem estar da população. Negar o fato e atacar quem cumpre o dever de informar revela despreparo para lidar com a imprensa, falta de profissionalismo e mera bajulação, do que o povo está farto.  Conheço o prefeito Alexandre Von desde a infância, estudamos juntos no Colégio Dom Amando, e jamais soube de qualquer ato seu de truculência. É inteligente e sabe que o melhor é prestar os necessários esclarecimentos à sociedade, promover audiência pública com a presença de especialistas a fim de discutir com franqueza os encaminhamentos, mostrando honestidade de propósitos e, obviamente, pedir a colaboração de todos, porque só assim o problema poderá ser equacionado e resolvido. Afinal, lançar esgoto na praia é algo que todos compreendem ser inadmissível. Que o percentual de esgotamento sanitário nas cidades paraenses é ínfimo, ninguém ignora. Cabe o debate organizado e propositivo, no sentido de buscar recursos financeiros para enfrentar essa deficiência que não é de agora e sim histórica. Por outro lado, não dá para ignorar a ameaça que há anos paira sobre toda a região, por causa da contaminação por mercúrio e cianeto utilizados nos garimpos do rio Tapajós, que vêm se espalhando em direção à sua foz. O Ministério Público estadual e o federal precisam agir.

Em nota, a Prefeitura
de Santarém esclarece que já baixou o Decreto nº
055/2015, de 14/02/2015 (leiam a íntegra aqui), proibindo 
a ancoragem e a circulação de embarcações que despejem resíduos nas águas onde
navegam, e  também o
transporte, circulação e permanência de animais domésticos nas praias da Vila
de Alter do Chão, além de
 efetivar ações de saúde, como vacinação; palestras educativas e prestação de
informações à comunidade escolar e à população em geral sobre os riscos e formas de prevenção das doenças de veiculação hídrica ou alimentar;
monitoramento da água para o consumo humano em pontos estratégicos da Vila;
coleta de material biológico para confirmação ou descarte de casos suspeitos de
hepatite A; exames para detecção de casos ocultos; curso de manipulação
de alimentos para os profissionais de bares e restaurantes; distribuição de
hipoclorito de sódio e orientação quanto a utilização do produto;
vistoria sanitária; e captura de
animais errantes.
A Prefeitura tornou públicos os
laudos emitidos no dia 15/01/2015, pela Divisão de Vigilância em Saúde, que atestam a satisfatoriedade da água no microssistema de
abastecimento da Vila de Alter do Chão, tanto na caixa de concreto quanto na
caixa de fibra, comprovando a ausência de coliformes através de análise
físico-química e bacteriológica. No último dia 13/02, a DIVISA emitiu novo
laudo, referente ao bebedouro da Escola Municipal Antônio de Sousa Pedroso,
atestando, também, a qualidade da água por meio de análise físico-química e
bacteriológica, com ausência de coliformes.
A
Secretaria Municipal de Meio Ambiente está fiscalizando, licenciando e o monitorando atividades potencialmente poluidoras, como a
criação de aves e outros animais nas margens dos igarapés que desaguam no Lago
Verde, a partir da conclusão do Plano de Uso da APA e do Mapa de Utilização do
Solo, autuando as consideradas impactantes ambientalmente. Já a
 Secretaria Municipal de Infraestrutura vem promovendo ações de
limpeza e coleta de resíduos domiciliares, com frequência diária desde dezembro de 2014, usando caminhão
coletor. 
Nas
praias e praças de Alter do Chão, há 40 banheiros
públicos.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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