Publicado em: 22 de janeiro de 2026
Com o prefácio de Ronaldo Maiorana e orelhas de punho do próprio autor, com trechos de seu discurso de posse na Academia Paraense de Letras, o livro com exatas trezentas páginas, brinda o público leitor com a mais pura coletânea já lançada recentemente sobre o jornalismo paraense, à noite de 20 de janeiro de 2026, no Salão Social do Grupo Líder, em Belém.
A obra traz um outro subtítulo “Páginas da história do nosso tempo”, o que corrobora a atualidade da edição, afinal são artigos publicados no maior jornal paraense desde 2009, aos domingos, “ausentes raríssimas vezes”, como relata o autor em seu Escrito, na parte introdutória.
A parte do Pós-Escrito é o livro em si que curiosamente não apresenta um sumário para o leitor localizar um artigo em seu número de página, assim como não traz indicação direta da data em que o texto foi publicado, algo indispensável ao jornalismo – tais observações são alertadas, contudo, pelo autor, considerando que os textos em si têm um caráter atemporal, carecendo dessas marcações cronológicas.
É verdade, e ao longo do livro percebe-se isso.
Cada artigo é uma verdadeira aula de tessitura de pensamento envolvendo a notícia, sempre respeitando uma efeméride não de datas em si, mas de fatos ocorridos no país, temas de natureza econômica, política, saúde pública, CPIs, história e coisas do Pará, a verdade em tempos de fake news, balanços dos
tempos da informação na era de internet, greves, as mutações partidárias dos políticos, livros, Amazônia, gestão municipal, dentre outros.
São reflexões e inflexões sob a tom da crítica de artigos-crônicas com o peculiar estilo de Linomar Bahia, com aquela sempre pitada de filosofia, digressões literárias, apenas para citar alguns, entre Aristóteles a Mario Quintana, verdadeiros links de leituras – e o que mais importa, como diz o jornalista, “sob o signo da imparcialidade”: a informação devidamente comentada com qualidade insofismável.
E por falar em filosofia, Linomar Bahia segue à risca a diretriz da imparcialidade, a que dá credibilidade ao jornalismo – isso soa hoje como uma lei esquecida diante da desenvoltura da escrita da informação na era digital – quase que totalmente parcial apenas para um lado, a chamada imprensa militante.
Impossível esquecer esta passagem: “A parcialidade midiática põe em xeque a essência do jornalismo, contaminando a liberdade constitucional de expressão e fragilizando um dos pilares da Democracia”, do artigo “Entre provérbios e credibilidade”.
Liberdade tem um preço muito caro, e há mais de 70 anos que o autor vem tratando de jornalismo na difícil balança da imparcialidade e esta é a sua grande qualidade. É sabido que um verdadeiro texto de jornalismo desperta a consciência e estimula o senso crítico, indo além da caverna de Platão que é o hoje qualquer aprisionamento, principalmente o ideológico.
À luz da verdade, a primeira e estrita observância do jornalismo: a liberdade de poder dizer; questionar seria outro pilar da democracia: os governados têm o direito de saber o que os governantes fazem, assim como um fato bem contado pode virar página da história pelo simples motivo de ser bem registrado. A escrita jornalista parcial sintoniza o escritor com um público também acima das vaidades ilusórias, principalmente as do poder.
E é dentro dessa liberdade de pensamento que este livro se torna referência à história do jornalismo no Pará. Por exemplo, apenas sobre o delicado período do vírus que aterrorizou o mundo, há indiscutíveis artigos merecedores de toda atenção: “Há outros vírus, ainda piores”, “’Coronajato’, a próxima atração”,
“pandemia da coincidência”, “A verdade, nem sempre verdadeira”, “Heróis e vilões”, “acredite se quiser”, “pandemia de coincidências”, “pandemia da corrupção” e muitos outros que discorrem sobre os males brasileiros aflorados do período.
É, sem sombras de dúvidas, um livro-referência pelas inquestionáveis qualidades do livre pensar dentro da esfera da Imprensa, daquilo que se chamou do Quarto Poder e que ultimamente está migrando para a internet.
Agora falando da edição em si, achei estranha a ausência do ISBN no livro, o que pode prejudicar a busca em um futuro próximo por essa obra histórica do jornalismo escrito no Pará e que recorta com maestria um período recente de nossa História.
É a minha única crítica à edição histórica de “Pós-Escrito” de um dos mais importantes jornalistas paraense, o acadêmico Linomar Bahia.


* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista





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