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Decisão do STF

Pois é, cara Franssi,

A presunção de inocência, quem diria?, acabou virando escudo para canalhas e ladrões. Se espremer bem espremidas as 90 páginas do voto do ministro (ex)celso, restará uma única certeza: o processo eleitoral brasileiro é o processo de legitimação da corrupção. Somos o único país do mundo em que crápulas e corruptos podem tranquilamente assaltar os cofres públicos, munidos de salvo-conduto expedido pela sua mais alta Corte de Justiça. Os novos cavaleiros do apocalipse agora rão nove. Mas ninguém se iluda: não é o cidadão de bem que se quer proteger, o que se quer proteger é a classe política corrupta que indica e aprova esses ministros que, pelo visto, não aprenderam nada com Cícero, em seu discurso contra Catilina:

Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração tem já dominado a todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes fatos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. À morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós
(…)”(Luiz Ismaelino Valente, Procurador de Justiça aposentado e advogado)

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