Publicado em: 20 de janeiro de 2026
A Polícia Judiciária de Portugal desencadeou, nesta terça-feira, uma ampla operação de combate a crimes de ódio praticados por grupos de extrema-direita, tendo como um dos principais alvos o movimento ultranacionalista 1143. A ação envolve mais de 30 mandados de detenção e cerca de 50 mandados de busca, segundo informações confirmadas por fontes oficiais da corporação à imprensa.
De acordo com as autoridades, os investigadores apuram indícios de crimes de discriminação, incitamento ao ódio e à violência, associação criminosa, ameaça, perseguição e ofensa à integridade física grave. As vítimas seriam, sobretudo, imigrantes (principalmente pessoas oriundas de países de maioria islâmica) que teriam sido alvo de agressões em diferentes contextos, incluindo manifestações recentes.
Embora o líder do 1143, Mário Machado, já esteja detido por crimes similares, a PJ suspeita que ele continue a exercer influência direta sobre o grupo, transmitindo instruções a partir da prisão. Entre as evidências analisadas estão mensagens e conteúdos xenófobos e racistas difundidos nas redes sociais.
O grupo 1143 tornou-se amplamente conhecido após episódios violentos envolvendo imigrantes. Um dos casos citados pelas autoridades ocorreu no último mês de outubro, quando um cidadão indiano foi agredido e roubado numa estação de serviço em Aveiras. Noutra ocasião, integrantes do movimento entraram em confronto com manifestantes durante o desfile do 25 de Abril, episódio que reacendeu o debate público sobre a atuação de grupos extremistas em Portugal.
Com a operação em curso, os detidos deverão ser apresentados ao tribunal nos próximos dias para a definição de medidas de coação. A ofensiva policial evidencia o esforço de contenção de organizações neonazistas que vêm ampliando sua atuação tanto em espaços públicos quanto no ambiente digital, explorando redes sociais para disseminar discursos de ódio e mobilizar apoiadores.
Foto: PJ





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