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A pesquisadora Rose Meira, do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas da Universidade Federal do Oeste do Pará, está desenvolvendo pesquisa que busca alternativas para recuperar minerais presentes no esgoto sanitário.
O estudo, intitulado “Síntese e caracterização da estruvita MgNH4PO46H20 a partir de efluentes sintéticos combinados com fontes alternativas de reagentes”, é executado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica da Universidade Federal do Pará. 

Considerando uma média populacional de 300 mil pessoas, em Santarém são consumidos por dia cerca de 36 milhões de litros de água. A maior parte vira esgoto doméstico e vai direto para o solo (escoado a céu aberto, empoçado nos quintais ou em tanques sépticos seguidos de sumidouros) ou para os rios por meio de ligações na canalização de drenagem pluvial.
“O pós-tratamento para recuperar esses elementos no esgoto irá contribuir para que o efluente final do tratamento apresente excelente qualidade, podendo ser lançado no meio ambiente sem causar problemas, e, além disso, pode produzir um material sintetizado rico em minerais interessantes para a agricultura, como a estruvita, por exemplo”, diz a pesquisadora. 

A estruvita foi descoberta em 1846, na universidade de Hamburgo, na Alemanha, e pelas características físico-químicas pode ser utilizada como ecofertilizante. 

“O interesse científico por essa pesquisa surgiu a partir da constatação de que esse elemento também é uma importante fonte de fósforo”, esclarece Meira.
O problema do esgoto sanitário é antigo, mas apenas há pouco tempo os governantes despertaram para a questão. Em Santarém estão sendo construídas as primeiras duas estações para tratamento de esgoto. Cada uma vai tratar o esgoto produzido pelo equivalente a 50 mil pessoas, ou seja, cerca de 30% da população inicialmente, possuindo capacidade de ampliação para o dobro do atendimento dentro das mesmas ETE’s. Parece pouco, mas já faz uma diferença num lugar onde até pouquíssimo tempo nenhum esgoto recebia tratamento. 

No Brasil, a Resolução Conama 357/2005, alterada pela Resolução Conama 430/2011, estabelece que efluentes de qualquer fonte poluidora só podem ser lançados diretamente ou indiretamente nos corpos d’água desde que atendam aos padrões previstos na legislação para macronutrientes. “Os rios e igarapés urbanos têm uma capacidade, um limite para receber certa quantidade diária de efluentes, e dependendo da quantidade e da carga orgânica que for despejada o rio pode entrar num processo de eutrofização” (acúmulo de nutrientes como Nitrogênio e Fósforo, encontrados em abundância nas fezes de homens e animais. Proliferam bactérias, plâncton e algas, muitas delas tóxicas que, ao morrerem, causam gosto e odor desagradáveis, além de consumirem oxigênio dissolvido e matarem peixes), relata a pesquisadora. 

Apesar de Santarém ter grande parte da extensão do aquífero Alter do Chão – manancial subterrâneo – e de o rio Tapajós ter uma grande capacidade de suporte para absorção, já é possível identificar trechos de rio eutrofizados, principalmente próximo às saídas de rede de drenagem e também perto dos pontos de embarcações, evidenciado na turbidez das águas do rio Tapajós. Isso sem falar na grande quantidade de fossas espalhadas pela cidade. 

A água é um bem e deve ser cuidada e preservada para esta e para futuras gerações. As questões são locais, mas o problema é mundial.
A pesquisa deve estar concluída em quatro anos, informa a Ufopa.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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