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O que se viu na terceira rodada da Copa Norte 2026, na noite de quinta-feira (09), foi um dos episódios mais constrangedores da história do Paysandu Sport Club. A goleada por 7 a 0 sofrida diante do Nacional, em Manaus-AM, para além de um resultado elástico, foi uma demonstração clara de desorganização, desinteresse e despreparo. Em campo, o time paraense esteve irreconhecível, distante da tradição e do peso de sua camisa.

O menosprezo pela competição cobrou um preço alto. Ao optar por escalar uma equipe completamente desfigurada, formada por reservas dos reservas, a direção do clube assumiu um risco que acabou se transformando em vexame histórico. A derrota não pode ser tratada como um simples tropeço circunstancial, mas sim como consequência direta de uma opção que ignorou a importância esportiva e simbólica do torneio.


A ausência do próprio treinador, Junior Rocha, em Manaus, reforça ainda mais a percepção de descaso. A falta de comando técnico à beira do campo contribuiu para um cenário de desorganização tática e emocional. Os jovens jogadores, muitos ainda em formação, foram lançados em uma situação adversa, sem o suporte necessário, e acabaram expostos a uma derrota humilhante.


Vários atletas que não entraram em campo contra o Volta Redonda, aliás, no último domingo (05), pela Série C, poderiam ter sido aproveitados neste duelo da Copa Norte. Se a prioridade do clube é a disputa da Série C – o que parece óbvio –, a decisão mais coerente teria sido abrir mão da competição regional, como já fizeram outros clubes das regiões Norte e Centro-Oeste em diferentes momentos.


Preservar a imagem institucional e, sobretudo, proteger o desenvolvimento dos atletas deveria ter sido o caminho mais responsável. Participar de forma meramente protocolar, sem competitividade, apenas amplia os danos — algo que o Paysandu Sport Club poderia claramente ter evitado. No fim, o episódio deixa marcas profundas: jogadores sem confiança – com alguns literalmente andando em campo –, atuação apática e um resultado que ecoa negativamente na história do clube, que, apesar de sua grandeza e tradição, sai bastante chamuscado desta jornada.


E a responsabilidade não recai apenas sobre quem esteve em campo, mas, sobretudo, sobre as escolhas da comissão técnica e a condução da gestão, que validaram um caminho que se mostrou profundamente equivocado neste jogo e em todo o processo.
O Paysandu escreveu uma das suas mais vergonhosas páginas em Manaus, uma mancha indelével, contrastando com a história tão gloriosa e vencedora da instituição. 



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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