0
 



Engenheiro sanitarista, filantropo, ativista socioambiental e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, Nelson Chaves é, sem favor algum, uma das personalidades mais respeitadas e admiradas do Pará. Um dos raros políticos que jamais confundiu o público com o privado e verdadeiramente dedicou sua vida a pensar meios de proporcionar à população uma vida digna, ele transita livremente por todos os setores sociais. Do saneamento básico à literatura e às artes, passando pela preservação da memória paraense, uma das vozes mais experientes no cenário político e administrativo do Pará, é, sobretudo, um protagonista amazônida. E será recebido pela Academia Paraense de Letras, à frente o presidente Ivanildo Alves e o vice-presidente Leonam Cruz Jr., para uma roda de conversa sobre o Parque da Cidade, do qual foi idealizador e articulador desde 1988. Outros convidados participarão do evento, aberto a qualquer pessoa, com direito a fala, na sexta-feira dia 27 de fevereiro, às 19h, no auditório Barão de Guajará, na sede da APL.

Será uma oportunidade para debater a ocupação desse importante equipamento público, que pode transformar a vida urbana de Belém, funcionar como hub cultural, espaço multiuso com exposições de arte, festivais de música, teatro e gastronomia, arenas de manifestações folclóricas, feiras de livros, ensaios abertos de orquestras e bandas, cenário para encontros da cultura geek e cosplay, práticas de bem-estar como yoga, tai chi chuan e meditação, a pista de skate e as áreas de patinação, esportes radicais como expressão. Durante o período quadrimestral do Círio, poderia servir como ponto de descanso, contemplação e até de passarela para romeiros e turistas. E, claro, como reforço à economia criativa, com designers e artesãos a venderem biojoias, cerâmicas e moda autoral, e aulas práticas de educação ambiental, transformando o parque em um museu vivo da flora amazônica adaptada ao meio urbano.

Nelson Chaves, que presidiu a Câmara Municipal de Belém e o TCE-PA, e foi deputado estadual, sempre se destacou por suas iniciativas cidadãs. O Núcleo Educacional Engenheiro Waldemar Chaves, escola-creche da Assembleia Legislativa que atende crianças de 4 e 5 anos da comunidade do bairro da Cidade Velha, foi idealizado e criado através de projeto de decreto legislativo de sua autoria e leva o nome de seu pai.

Concebeu inúmeras iniciativas culturais, ambientais, políticas e administrativas. Deu bons exemplos. Quando estava na ativa os membros do TCE-PA receberam meio milhão de reais em polêmica verba indenizatória, ele doou integralmente o quinhão que lhe coube a duas entidades que prestam atendimento a mulheres e a crianças em tratamento de câncer. Idealizou o Encontro TCE-Alepa, o Fórum TCE-PA e Jurisdicionados, o estágio socioeducacional oferecido pelo tribunal a adolescentes infratores, garantindo o acesso ao trabalho na perspectiva da inclusão social a partir da construção da cidadania, com os bolsistas sob supervisão do Serviço Social e da Psicologia do TCE-PA, orientando e encaminhando contatos com as famílias e fazendo visitas domiciliares, além de atendimento odontológico e médico.

Sob sua inspiração o TCE criou o Memorial Innocencio Serzedello Correa e a Biblioteca Benedito Frade, abertos ao público e usados, principalmente, por estudantes da rede pública. Por sua iniciativa, o TCE foi um dos pioneiros no Pará a dotar suas instalações de todos os cuidados para facilitar o acesso de pessoas com deficiências, ainda em 1998. O uso dos espelhos d’água do prédio-sede em Belém para exposição de barquinhos de miriti em referência à procissão fluvial do Círio, destacando o trabalho dos artesãos de Abaetetuba, também foi ideia sua.

Nelson Chaves articulou, ainda, a reabilitação política dos cassados pelo golpe de 1964 no Pará. Na sessão do TCE de 17.12.2002 exarou voto no processo de aposentadoria do jornalista Isaac Soares, em prenúncio ao resgate histórico. Procurou a Alepa e a Câmara pedindo a devolução simbólica dos mandatos.

Aplaudido pelos seus pares, sempre se manifestou nas sessões da Corte sobre a necessidade de o Tribunal de Contas do Estado ser proativo, não esperar para multar e sim evitar que o dinheiro público seja mal utilizado em obras e serviços sem eficácia para a população, não se limitar a examinar documentos que podem ser falseados e sair em campo para cumprir seu papel constitucional.  Por proposição de Nelson Chaves, aprovada à unanimidade, a Escola de Contas do TCE-PA foi denominada Alberto Eduardo Conte Veloso, em homenagem ao ex-servidor do tribunal, que prestou relevantes serviços.

Nelson Chaves suscitou o debate acerca da responsabilidade cidadã do tribunal que deve exercitar, orientando o governo do Estado e as prefeituras, no que tange a políticas públicas voltadas à infância e à juventude. Além de abraçar todas essas causas, também pregou a necessidade de profissionalizar o TCE-PA, a partir da mobilização da sociedade paraense, no sentido de que exija a nomeação de conselheiros de fato preparados para o exercício da função – e que, preferencialmente, integrem o quadro especializado do próprio tribunal.

A APL fica na Rua João Diogo, nº 235, ao lado do Colégio Estadual Paes de Carvalho, defronte ao TRE-PA e ao Corpo de Bombeiros. O acesso é livre, gratuito e não precisa de convite.



Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Gramáticas Importadas, Feridas Nacionais: Identidade, Democracia e Conflito no Brasil Pós-1990

Anterior

Caratateua terá Encontro Local de Cidadania Digital nos dias 20 e 21 de fevereiro

Próximo

Você pode gostar

Comentários