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O novo secretário de Educação do Pará, Rossieli Soares, tem um desafio enorme pela frente. Não foi à toa que o governador Helder Barbalho foi buscar um profissional de fora: o Pará lidera o triste ranking da pior nota do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em todo o Brasil. E para variar a situação é ainda mais grave no arquipélago do Marajó, que historicamente detém o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Pará, do Brasil e um dos piores do planeta, comparável aos países africanos mais pobres. Vale registrar que a situação real é ainda mais dramática do que o índice registra, posto que utilizaram uma recomendação de não reprovar os alunos, dadas as dificuldades de acompanhamento e avaliação durante a pandemia.

Rossieli, que já foi ministro da Educação e secretário de Estado de Educação no Amazonas e em São Paulo, traz na bagagem a universalização do ensino em tempo integral, considerado o remédio para evitar a reprovação e a evasão escolar, além de proporcionar aos estudantes segurança e oportunidade de desenvolvimento humano, arte, esporte e cultura.

O Ideb foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas. Funciona como um indicador nacional que possibilita o monitoramento da qualidade da educação pela população por meio de dados concretos, com o qual a sociedade pode se mobilizar em busca de melhorias. É calculado a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente.

As médias de desempenho utilizadas são as da Prova Brasil, para escolas e municípios, e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para os estados e o País, realizados a cada dois anos. As metas estabelecidas pelo Ideb são diferenciadas para cada escola e rede de ensino, e havia o objetivo único de alcançar 6 pontos até 2022, média correspondente ao sistema educacional dos países desenvolvidos. O Pará ficou literalmente na metade, com 3 pontos, uma tragédia.

Em entrevista exclusiva ao Portal Uruá-Tapera, uma personalidade especialista no setor, de renome nacional, que prefere não se identificar, avalia que Rossieli precisa, em primeiro lugar, reformar 640 escolas do universo de mil, que estão sem condições de serem utilizadas, já que só foram feitas melhorias em 114 unidades. Em seguida, transformar as escolas em tempo integral, principalmente as da região metropolitana de Belém e dos polos Santarém e Marabá; padronizar o sistema de aprendizado no estado; implantar conectividade e equipamentos em todas as escolas do Pará; municipalizar a alimentação e o transporte escolar; fortalecer a gestão das Ures e Uses; e aumentar a gratificação pela direção de escola, hoje de míseros R$1 mil.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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