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O Brasil abriga a maior comunidade italiana fora da Europa, com cerca de 30 milhões de descendentes, impulsionando um fluxo contínuo de busca por dupla cidadania e turismo. Porém, a barreira linguística mascarada pela semelhança entre os idiomas ainda gera dificuldades.

A proximidade entre o português e o italiano não raro resulta em falsa fluência. É que a tradução literal de “falsos cognatos” — palavras com grafia similar mas com sentidos opostos — é uma causa frequente de ruídos de comunicação. Um exemplo clássico é a palavra “firma”, que em italiano significa estritamente assinatura, e não empresa ou escritório. Outro é o verbo “pretendere”, usado por brasileiros com o sentido de ter a intenção, mas que em italiano significa exigir ou reivindicar de forma impositiva.

A lista de armadilhas inclui termos do dia a dia que afetam a experiência do turista. Que ninguém se assuste ao ouvir “burro”, é uma referência à manteiga, não a um animal ou ofensa; da mesma forma que “prendere” significa pegar/tomar, e não prender/ ou encarcerar. “Caldo” indica alta temperatura (quente), não um alimento; e “eventualmente” expressa uma possibilidade (talvez), não uma frequência de tempo.

No italiano, o termo “câmera” diz respeito a quarto (dormitório) e não ao que se usa para filmar e fotografar. Birra significa cerveja, e não teimosia. “Pasto” é refeição (substantivo), nunca alimento para gado. Se um italiano fala “presto” significa cedo/rápido e não a primeira pessoa do verbo prestar.

Há, ainda, palavras que por serem muito parecidas induzem ao erro. É o caso de “salire” (subir/aumentar), que pode ser entendido em português como ir embora. No italiano, “calza” significa meia. “Azienda” significa empresa/negócio, e não propriedade rural como pode parecer. “Accordo” significa concordância ou acorde musical. Em português, é um trato.

Na mesma linha, para evitar mico: se alguém disser “supportare” é no sentido de dar apoio/suporte, não aguentar/sofrer, como em português. “Squisito” quer dizer delicioso/gostoso, e não estranho/peculiar. “Abusare” pode significar usar demais/se aproveitar. Embora parecido, o uso em italiano é mais restrito a abusar de confiança ou de algo. E “tirare” significa puxar/arremessar, não remover.

E vocês, que embaraço já passaram?

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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