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O governador Helder Barbalho, que não dá ponto sem nó, como diz o caboclo, escolheu o dia 15 – marcando o número da sigla – para filiar o deputado estadual Igor Normando ao MDB e anunciar sua candidatura a prefeito de Belém este ano. Igor começou na Juventude do MDB, migrou para o Podemos a fim de garantir aliança com Helder e dele desembarcou para se aninhar no berço originário levando mais dois deputados estaduais – Torrinho Torres e Renato Oliveira – porque o senador Zequinha Marinho negociou com a cúpula nacional assumir a liderança da agremiação no Pará. Para dar grande realce ao fato político que criou, Helder incluiu no mesmo ato a filiação de vários prefeitos e vereadores, e com isso já atingiu a sua meta de cem prefeitos emedebistas em pleno exercício do mandato, dos 144 municípios paraenses, façanha que quer manter nestas eleições, além de contabilizar agora uma bancada estadual com quinze deputados na Alepa. O Palácio Cabanagem ficou pequeno para tanta gente, distribuída em dois andares e ainda lotando a rua em frente, desde a tarde até por volta das 23h.

Ausências notadas por lá: o deputado Zeca Pirão, que moveu céus e terra para se cacifar, e o federal José Priante, que andou se colocando na disputa, mesmo sabendo que seria preterido. Helder teve o cuidado de amaciar os dois, e garantiu que ter escolhido Igor Normando não significa que ele seja “melhor ou pior” do que ambos. O ministro Jader Filho justificou a ausência e enviou um vídeo que foi exibido no auditório.

O jogo do governador pode parecer perigoso aos desavisados, mas ele estuda minuciosamente cada movimento. E deixou bem claro no discurso de ontem que não está rompendo com Lula nem com Edmilson. O fato de o MDB ter candidato próprio à prefeitura de Belém obviamente divide a base petista parauara. Lula, Gleisi Hoffmann, a presidente nacional; Zé Geraldo, vice-presidente nacional; superintendente da Sudam, Paulo Rocha; deputados federais e estaduais apoiam o recandidato Edmilson Rodrigues, único prefeito do PSOL em uma capital. O senador Beto Faro certamente apoiará Igor Normando. Mas isso já aconteceu nas duas eleições de Helder e até na de Edmilson, porque as correntes mais à esquerda não admitem essa aliança com o MDB. Então, não se trata de risco novo, é administrável. Só se for leso para brigar com o presidente da República, tendo um irmão ministro e tantas negociações em andamento. Ademais, PSol, PT e MDB têm um adversário em comum: o deputado federal Eder Mauro, e nada melhor do que vários candidatos para forçar o segundo turno, quando então haverá realinhamento das hostes psolistas, petistas e emedebistas, apoiando quem tiver melhor desempenho eleitoral.

Igor Normando iniciou fazendo política estudantil aos 15 anos, em 2002, na UMES e depois na UNE em 2008. Eleito vereador de Belém em 2012 e reeleito em 2016, em 2018 conseguiu vaga na Alepa, reeleito com 72 mil votos em 2022, mais que o dobro dos 25 mil que obteve na votação anterior. É esse perfil que Helder apontou como decisivo para sua escolha. Jovem mas já experiente na política, liderança em ascensão, pai de família, defensor da causa animal, vida pregressa sem escândalos, bem-sucedido na missão de secretário de Articulação da Cidadania, que toca o mais impactante programa social do governo do Pará, o Territórios Pela Paz, com as Usinas da Paz.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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