Publicado em: 28 de fevereiro de 2026
Este ano, mais uma vez, teremos a oportunidade de escolher quem serão o presidente, o governador, os deputados e os senadores. Para fazer essa escolha, é importante considerar diferentes fatos e critérios, levando em conta o que é melhor para toda a sociedade. Votar deveria ser uma maneira de consolidar e aperfeiçoar conquistas políticas, econômicas, sociais e culturais já em curso, aproveitando ao máximo o potencial do nosso país para beneficiar todos os brasileiros.
O voto deveria fazer parte da agenda positiva de cada pessoa, ajudando a reconhecer os avanços na redução das desigualdades sociais e regionais e incentivando uma fiscalização rigorosa da atuação dos nossos representantes. Assim, nesta eleição, o foco principal deve ser a qualidade da nossa escolha, buscando referências confiáveis e honestas. Duas atitudes importantes, e que se complementam, podem ajudar nesse processo: não trocar o voto por qualquer benefício e optar por candidatos que tenham conduta ética tanto na vida pessoal quanto na pública, demonstrada nas palavras e nas ações.
Esses elementos sempre emergem com força na mídia durante o período eleitoral, seja de forma direta ou indireta. Nesse contexto, muitas pessoas têm sentido a necessidade de cobrar mais dos candidatos, por meio de um sistema de fiscalização rigoroso ao longo de todo o mandato. Afinal, geralmente os candidatos se aproximam bastante do eleitor na época da campanha, mas, depois de eleitos, parecem se afastar, como se fugissem de problemas, conforme diz a expressão popular.
Na verdade, a responsabilidade inicial pela qualidade das pessoas que vamos eleger é de cada um de nós, eleitores. A decisão de avançar ou retroceder no caminho do país depende das nossas escolhas, e o que acontecer depois impactará toda a sociedade. Por outro lado, quem for eleito precisa estar ciente da responsabilidade que assume durante o mandato, diante das necessidades da população. Por isso, como eleitores, devemos analisar com cuidado e senso de justiça, votando naqueles que já demonstraram resultados positivos e têm potencial para melhorar ainda mais a vida de todos.
É importante sempre refletir sobre o ato de votar, pensando nas consequências que podem surgir dessa decisão. Como eleitores, sabemos que não somos inocentes, e quem é eleito também não carrega sozinho a responsabilidade pelos problemas sociais e políticos que criticamos com tanta facilidade e intensidade. Nesse sentido, todos temos uma parcela de responsabilidade — e não estamos cegos para isso. Talvez quem tenha dito que a consciência é como a vesícula tenha razão: só nos damos conta dela quando sentimos dor.
O exercício do mandato não deve ser utilizado por aqueles que transformam cargos públicos em sinecuras, convertendo-os em negócios entre amigos, parentes ou credores — prática que enfraquece a confiança na democracia.
Nesse contexto, marcado pela falta de espírito público de parcela de políticos, é importante lembrar que, ao ver o poder ser acumulado por pessoas sem compromisso ético, o cidadão pode perder a esperança na virtude, desacreditar na honestidade e sentir vergonha de ser honesto. Votar nesses indivíduos ou em seus representantes é como ingerir um veneno: faz mal.
Por isso, é razoável impedir que candidatos que já traíram nossa confiança retornem à cena política.
Por último, é importante lembrar que a fortalecimento do Estado Democrático de Direito depende de levarmos a sério o voto que depositaremos na urna eletrônica. Essa e várias outras questões, acima de tudo, precisam de um voto consciente, responsável e justo.
REFERÊNCIA
BIANCHINI, Alice et al. Manual de Direito Eleitoral e Gênero: aspectos cíveis e criminais. 2ª.ed.- Salvador (BA): Editora Juspodivm, 2025.
CARVALHO, Volgane Oliveira. Manual das inelegibilidades: comentários à Lei das Inelegibilidades e jurisprudência atualizada do TSE e STF. 5ª ed.- Curitiba (PR): Juruá, 2024.
DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 41ª. ed.- Barueri (SP):Atlas, 2025.
ZANGALI, Alexandre Henrique. Ações Eleitorais – Teoria e Prática. Curitiba (PR):Juruá, 2022.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista




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