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Ao divulgar a sanção à lei que tornou o Çairé Patrimônio Cultural e Artístico do Pará, a comunicação da Paratur informa que “a Festa do Sairé ocorre anualmente na primeira quinzena de setembro em Alter-do-Chão, situado a 32 km de Santarém, no Sairódromo, local destinado ao público e palco do duelo entre os representantes dos Botos Tucuxí e Cor de Rosa, que dividem a atenção e torcida da população de Santarém. Segundo os historiadores, o Sairé possui mais de 300 anos representando uma das festividades mais antigas da Amazônia e atrai turistas das mais diversas nacionalidades”. Acontece que o Çairé nunca foi um duelo de botos – atração inventada há alguns anos para turistas. Çairé era um baile indígena (puracê), desde o primeiro século da colonização, espécie de dança de roda conduzida por um “arco” – motivo indígena, seu centro geométrico, com diâmetro e raios assinalados em algodão e fitas vermelhas pendentes, ornamentado com uma cruz forrada e enfeitada, revelando o símbolo católico que o jesuíta acrescentou ao outro símbolo pagão. Alter do Chão era uma aldeia dos índios Borari. O Çairé conta, através da dança e do canto, como a fé católica foi usada para catequizar o índio e dominá-lo. O cântico triste, monótono e rouco, tem os versos “Ito camuti pupé neiassucá pitani puranga ité”, assim traduzidos: “Em uma pia de pedra foi batizado um belo menino”. E logo o estribilho por todos repetido: “É Jesus, é Santâ Maria.”Santa Maria cunhã poranga imembira iaué catu, iputira ipop”.Tradução:”Santa Maria é uma mulher bonita e seu filho como ela, com uma flor na mão”. O Çairé foi incorporando danças e folguedos populares. De 1943 a 1973 foi proibido pela Igreja católica. Era em julho e passou para setembro porque nessa época as praias estão em seu ápice, no verão amazônico. Nada de botos entre os personagens. O Juiz e a Juíza são as figuras principais. Tem o Procurador e a Procuradora, o Capitão, os Rufadores de Caixa, os Alferes, os Mordomos e Mordomas, o Sargento e a Saraipora, que é a mulher que conduz o Çairé.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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