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Uma nova mexida no xadrez eleitoral está se desenhando e poderá deixar o governador Helder Barbalho sem adversário na disputa pela reeleição. Isto se não entrar em cena uma personagem que por enquanto ainda se mantém quieta: Renata Fonseca, investigadora da Polícia Civil do Pará, mãe de um adolescente e esposa do prefeito de Oriximiná, Delegado Fonseca.

A engenharia partidária concebida e executada por Helder teve um efeito devastador entre as hostes oposicionistas. Assim que foi eleito fechou aliança com as bancadas municipais, estadual e federal do PSDB, reduto historicamente adversário. Por vias oblíquas, obteve a reprovação das contas do ex-governador Simão Jatene, seu mais forte opositor, deixando-o inelegível.

Nas eleições municipais atraiu para sua base o PSOL e o PT de Belém, os parlamentares estaduais e federais já estavam nela. Assim, desidratou e golpeou de morte o ninho tucano, que se esfacelou irremediavelmente. Por outro lado, tanto o PT quanto o PSOL estão rachados e por isso mesmo não conseguem lançar candidato próprio ao Governo do Pará. Até a vaga no Senado está ficando cada vez mais distante. Beto Faro já está sentindo o chão pantanoso em sua candidatura. O fogo amigo, como se sabe, pode causar incêndios muito mais perigosos.

Pois bem. A deputada federal Elcione Barbalho, mãe do governador, acaba de sofrer grave revés. O Ministério Público Eleitoral acusa a então candidata de uso indevido de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2018. Seu mandato provavelmente será cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na sessão plenária do último dia 8, iniciado o julgamento, o relator, ministro Fachin, votou pela cassação dela, acompanhado pelo ministro Luís Roberto Barroso (presidente), de forma excepcional diante do término do respectivo mandato na Corte, em antecipação de voto. Por providencial pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, o julgamento foi suspenso. Aguardam os ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Sérgio Banhos e Carlos Horbach.

Conforme a denúncia do MPE, a deputada transferiu para dez candidatos do gênero masculino, a título de doação financeira, recursos da cota de 30% para candidaturas femininas do FEFC, o que configurou gasto ilícito. Ao votar pela cassação do diploma da parlamentar, o ministro Fachin ressaltou que “a perenização de figuras masculinas nos quadros de política, poder e decisão, com impacto no interesse da coletividade, é cenário atual e ainda longe de superação, que concorre para que se acentuem as discrepâncias ainda hoje constatadas”. Fachin relatou que Elcione, como candidata pelo MDB, recebeu do diretório nacional da legenda R$ 2 milhões oriundos do FEFC. Segundo análise da unidade técnica do TRE-PA, desse montante, R$ 1.170.000 foram doados para candidatos homens, o que corresponde a 56,39% da quantia global movimentada na campanha da candidata.

Ora, como diz o caboclo, “pau que bate em Chico também dá em Francisco”. Acontece que o senador Zequinha Marinho (PL), candidato a governador do Pará, responde a um processo na Corte Eleitoral sob as mesmíssimas acusações e o relator é também o ministro Edson Fachin, que já carreou toneladas de razões de fato e de direito, além de farta jurisprudência e doutrina pela cassação do mandato. E se Zequinha Marinho for cassado ficará inelegível, não podendo, pois, continuar na disputa. Pior: seus suplentes também serão cassados e até o diploma de sua esposa, Júlia Marinho, como suplente de deputada federal, ela e eles também integram a lide. E como ainda restam mais quatro anos de mandato, eis que ninguém menos que Fernando Flexa Ribeiro, que foi o segundo candidato com mais votos para o Senado em 2018, herdará de mãos beijadas essa temporada como senador. Flexa, como se sabe, já voou do PSDB para o PP. E está de braços dados com o governador Helder Barbalho.

Já dizia o finado Gerson Peres, o “Patativa do Tocantins”, que foi deputado estadual e federal, senador e vice-governador, que em política “boi avua”, em bom cametaês.

Perguntei ao meu amigo filósofo mudo de Oriximiná o que pensa de tudo isso e ele exclamou: “_Hummm….Hummmmmmmm!”

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Abrajet, do IHGP e do IHGTap, editora do portal Uruá-Tapera.

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1 Comentário

  1. A política feita com inteligência, tem que ser articulada de olho no presente, cumprindo as promessas do futuro e preocupada com o passado, este de fundamental importância para as aspirações do candidato.

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