Publicado em: 1 de abril de 2026
A Prefeitura de Belém agiu rápido e hoje (1º) cedo uma equipe fez a retirada dos bastões de ferro que estavam bloqueando a calçada de uma residência na Rua Tiradentes, entre a Trav. Piedade e a Av. Assis de Vasconcelos, no histórico bairro do Reduto, em Belém.
A família proprietária da casa que instalou a barreira de ferro tentou justificar a ação alegando que fez isso para se defender dos motoqueiros que trafegam nas calçadas, e que inclusive já atropelaram pedestres. Uma representante chegou a afirmar ao Portal Uruá-Tapera que são poucos os carrinhos de bebê, cadeirantes e pessoas de baixa visão que transitam lá, e que haveria menor risco de eles serem atropelados no meio da pista do que os que poderiam passar através dos blocos de ferro (!). Obviamente tal entendimento é, no mínimo, enviesado. Ademais, é pacífico que o interesse público se sobrepõe ao particular.
Passam por ali todos os dias muitos carrinhos de bebê, idosos e pessoas com problemas de mobilidade, especialmente aos finais de semana, para irem à Praça da República. Os abusos dos motoqueiros – já denunciados à exaustão e sem qualquer providência efetiva dos órgãos que deveriam atuar – acontecem em toda a cidade. Mas de modo algum é razoável instalar barras de ferro na calçada, bloqueando o acesso a pessoas muito vulneráveis. Por esse raciocínio todo mundo colocaria barras de ferro em frente às suas casas e assim adeus ao direito à livre locomoção. É o mesmo que fazer justiça pelas próprias mãos. Não é à toa que existe um ordenamento jurídico, justamente para nos salvar da barbárie. Não por acaso as raízes do Estado de Direito remontam à Idade Média.
É óbvio que motos, bicicletas e carros não devem trafegar nas calçadas. Mas não se combate o crime virando criminoso também. É preciso que toda a sociedade cobre a aplicação da lei e a devida fiscalização. E não sair cada qual fazendo o que acha que deve ser no espaço que é de todos. Devemos deixar de pensar no próprio umbigo. Os únicos que as barras de ferro protegem são os que as instalaram, o que não é justo, legal e nem legítimo. O correto é lutar por providências das autoridades contra os motoqueiros, sim, jamais penalizar pessoas vulneráveis que além de não poderem caminhar ainda são forçadas a disputar espaço no meio da rua com os carros, arriscando as próprias vidas. Isso é cruel e desumano.












Comentários