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O juiz Jackson Sodré Ferraz, corregedor dos presídios da Região
Metropolitana de Belém e auxiliar da 1ª Vara de Execução Penal, determinou a
interdição parcial do Centro de Triagem de São Brás, que agora só poderá
receber novos presos na proporção de três saídas para uma entrada, até atingir
o limite máximo de 200 detentos.
Desde o último dia 14, o MPE denunciou a superlotação carcerária e
precário estado de conservação do prédio. O magistrado cientificou
imediatamente o Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social e notificou
o superintendente do Sistema Penitenciário do Pará para que apresentasse
resposta em 48 horas, apontando soluções administrativas viáveis imediatas. Não
obteve resposta.
Em inspeção, o magistrado constatou o excesso de população carcerária,
além das condições do Centro de Triagem, que tem capacidade para 120 detentos,
mas abrigava, naquele dia (15/06), mais do que o dobro: 303 presos, sem banho
de sol nem encontro íntimo, só a visita de parentes de dez em dez a cada uma
hora, o que resulta no acúmulo de tensão entre os detentos, tanto que houve
fuga em massa três dias depois da vistoria, com pânico entre os moradores do
entorno.
O juiz pediu que a Coordenadoria Criminal da Defensoria Pública do Pará analise
a situação de 52 custodiados por crime de menor lesão jurídico-social que, em
tese, poderiam aguardar o julgamento em liberdade. E que a Corregedoria de
Justiça da Região Metropolitana de Belém verifique a possibilidade de designar
magistrados para reanalisar a necessidade de prisão preventiva de 83 autuados
na Lei de Tráfico. Ao superintendente da Susipe, ordenou que sejam transferidos
imediatamente às casas penais os condenados, seja definitiva ou
provisoriamente, e restituídos ao estabelecimento penal de origem os recapturados.
E fixou o prazo de 06 meses para a meta de 200 detentos, sob pena de
responsabilidade.
Além de todas as autoridades estaduais afetas ao caso, o juiz oficiou
também à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão; à OAB/PA; ao Conselho Penitenciário
do Estado do Pará; ao Conselho da Comunidade do Pará; ao Conselho Nacional de
Política Criminal e Penitenciária; e ao Departamento Penitenciário Nacional.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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