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CENA 1:
No último dia 08, um PM, fardado, em Abaetetuba, atirou no carro de um dos meus irmãos. Ele foi direto à delegacia de Polícia fazer a ocorrência e pedir providências. Podia ter sido morto. Ou ficar numa cadeira de rodas para o resto da vida.

Como não sabia quem era o PM, ligaram para o quartel local. Ninguém atendia. Após muitas tentativas, finalmente um sargento compareceu à delegacia, mas não quis identificar o atirador. Disse – vejam só – que não sabia de quem se tratava e foi embora.

Ora, mesmo se tivesse um exército sob seu comando, é obrigado a saber exatamente quem, quando, onde, como e por que atira em cidadão na rua.

Pedi ajuda ao jornalista Emanuel Villaça, assessor do secretário de Estado de Segurança Pública, que, como sempre, foi ágil e solidário e de pronto acionou o Coronel Edvaldo Sarmanho, Sub Comandante Geral da PM e o delegado Miguel Cunha, diretor da Polícia Civil no Interior, que contactaram, respectivamente, com o comandante do destacamento local da PM e o delegado de Abaeté, determinando rigorosa apuração dos fatos e envio do inquérito à Corregedoria da PM.

Identificaram o atirador como soldado PM Maués, que em apenas um ano na Corporação já tem contra si várias ocorrências policiais, mas continua livre, leve e solto pelas ruase com uma arma na mão, colocada e mantida pelos seus superiores, com a qual pode, a qualquer instante, matar um cidadão de bem – inclusive meu irmão, que o denunciou.

Pois bem. Passados 11 dias, sequer foi feita perícia no carro do meu irmão – que está com um buraco – e a bala de calibre militar incrustada – em seu carro.

CENA 2:
No domingo, 18, fui ver o por do sol em Salinas na praia do Atalaia. Na volta, com meu marido, minha filha e duas crianças no carro, meus sobrinhos, como o engarrafamento estava quilométrico, depois de meia hora só para subir a rampa decidi retornar à praia e esperar diminuir o fluxo. Tomei o primeiro retorno e, para meu espanto, um sargento PM da Polícia Rodoviária Estadual me impediu o ir e vir, embora a pista estivesse livre e a maré baixa, com imensa faixa de areia. Disse-lhe que o trânsito estava aquele inferno justamente por culpa deles, que ao invés de orientar atrapalham.

Sabe o que ele fez? Pediu minha CNH e documentos do carro, prontamente entregues, e simplesmente sumiu com eles durante 40 minutos, a título de castigo porque ousei criticá-lo.

O tal sargento não quis se identificar – perguntei repetidamente seu nome, ele se recusou a dizer. Estava escuro e foquei a lanterna do meu celular em seu peito, mas tinha um pedaço de pano encobrindo parte do nome, então tentei levantar a ponta para ver direito e ele gritou “não me toque!”, como se não fosse obrigado a se identificar. Ah! E ainda lavrou um pacote de multas, que eu sequer vi a que se referem.

Um oficial PM observou tudo desde o início, sem mover uma palha: Capitão Carvalho, que deu de ombros quando perguntei porque não coibia o abuso de seu comandado. Falei que iria denunciá-los, que a governadora Ana Júlia Carepa seria informada. Ele reagiu com desdém.

É por isso que, a cada semana de férias, o número de mortos no trânsito aumenta. Ao invés de parar os muitos veículos, principalmente caminhonetes, lotados de crianças nas carrocerias abertas e penduradas até no tampo, em risco de morte, elementos da PM como esses, que vestem a farda militar e a desonram, preferem abusar de suas funções e reter indevidamente quem está com carro e documentos em ordem, de cinto de segurança e com crianças chorando pela agonia de ficarmos retidos.

É essa a PM cidadã? É essa a corporação
encarregada de proteger vidas? Que os Céus nos ajudem!
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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