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Embora os
armazéns 11 e 12 integrem o complexo tombado pelo Departamento de Patrimônio
Histórico Artístico e Cultural do Estado do Pará, a Companhia Docas do Pará vem
demonstrando nenhum apreço à memória de
Belém.
Mesmo depois de várias discussões com o Ministério
Público e a Secult, o desmonte dos dois galpões está sendo licitado, embora nem
exista um plano de gestão ou projeto de readequação para novos usos, muito
menos a opinião pública tenha sido consultada.
Para piorar,
é cada vez mais intenso e pesado o tráfego e estacionamento de carretas na área
e a pressão de grupos imobiliários, o que aumenta o caos do trânsito em que a
cidade está mergulhada.
A CDP
insiste em querer ampliar área de contêineres, ao invés de, em parceria com o
governo do Estado e prefeitura, prestar inestimável serviço público com o
aproveitamento da infraestrutura num sistema de integração de transportes
fluvial e terrestre, o que permitiria o replanejamento da dinâmica do tráfego
urbano, que todos sabemos ser extremamente nocivo ao centro histórico.
No mundo
inteiro, as áreas portuárias urbanas têm novos modelos de uso e apropriação, a
exemplo do porto de Bilbao, na Espanha, onde foi construída uma unidade do
Museu Guggenheim, com incremento do turismo
cultural e temático, de compras e de negócios; do Rio de Janeiro – cuja
revitalização está em curso e abrigará hotéis e novos espaços culturais, além
da abertura de avenida na antiga rota dos trens -; Recife, onde
nos velhos galpões sem uso passarão a funcionar salas
para escritórios, bares, restaurantes, lojas, hotel, marina, centro de
convenções, áreas para eventos e exposições, com atividades recreativas,
sociais e culturais
, além de vagas de estacionamento; e até Porto Velho, que tem porto com datação equivalente ao de Belém,
construído também pelo empresário norte-americano Percival Farqhuar, que no dia
7 de setembro de 1906 fundou a Companhia Port of Pará, antecessora da Cia. Docas do Pará.
A CDP
precisa entender que desmontar os galpões para serem remontados em locais
diversos é negar a história de Belém, os vestígios do modo de vida e de
produção de há mais de um século, destruir um rico sítio arqueológico
histórico, industrial e com ainda
desconhecidas áreas de probabilidade arqueológica, desfazendo elos de
identidade e auto-estima entre a sociedade e aquele espaço.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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