0
 



Na quinta-feira passada, 19, antes da partida contra o Velo Clube (SP), da Copa do Brasil, jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama (AC) exibiram na foto oficial as camisas dos colegas presos por estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube. A partida também marcou a estreia do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio. Um verdadeiro festival de horror.

O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte publicaram uma nota de repúdio nas redes sociais, como se fossem ongs e não estruturas governamentais com poder e dever de agir.

Por sua vez, o clube acriano se limitou a postar nota oficial dizendo que “tomou conhecimento de informações divulgadas publicamente indicando o envolvimento de atletas vinculados ao clube em ocorrência sob apuração pelas autoridades competentes”, e que – vejam só! – “reafirma seu compromisso com a integridade, o respeito e a observância das normas, ressaltando que qualquer conclusão sobre responsabilidade depende da apuração oficial, com garantia do devido processo legal.”

Como assim? O clube não sabe do que acontece em suas dependências? Fica sabendo pelas redes sociais? Não acredita nas palavras das vítimas, como manda a lei, e não toma qualquer medida para punir os seus jogadores?!

Seria cômico se não fosse trágico!

Ninguém quer palavras de solidariedade dos ministérios e sim providências efetivas e eficazes. Se o governo federal tem de fato compromisso inegociável com o enfrentamento de todas as formas de violência contra meninas e mulheres precisa garantir ambientes seguros no futebol nacional. É o mínimo.

Todas as entidades esportivas têm obrigações descritas em lei, mas não cumprem e fica por isso mesmo? A misoginia é naturalizada, a dignidade feminina atacada sem qualquer consequência. O gesto do time evidencia que não se trata de comportamento isolado: é violência estrutural. A diretoria se omite. A CBF também. E o governo lança notinha esperando likes?

Todos os atletas envolvidos em casos de violência devem ser expulsos sumariamente, proibidas novas contratações, cortados patrocínios e punidos os apoiadores.

Só o fato de contratar o goleiro Bruno revela muito sobre o clube, que também deveria ser excluído do campeonato.

Enquanto isso, continua a invisibilidade do assédio contra as mulheres que trabalham no futebol atuando na arbitragem, como bandeirinhas e tantas outras profissionais.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

O sobrevivente em Vila Real

Anterior

HC ampliado, modernizado e com atendimento humanizado

Próximo

Você pode gostar

Comentários