Publicado em: 11 de fevereiro de 2026
O Museu de Arte Indígena – MAI, em Curitiba, recebeu na última terça (10), a abertura da exposição “Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral”, do fotógrafo, cineasta e documentarista parauara Alexandre Baena. A mostra inaugura uma circulação nacional que, ao longo de 2026, percorrerá as cinco regiões do país, levando ao público um conjunto de telas em cores produzidas durante o I Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu, realizado em Altamira, no sudoeste do Pará.

A curadoria é assinada pelo próprio artista e organiza as imagens a partir de três eixos indissociáveis: práticas corporais tradicionais, apresentações culturais e rituais que estruturam a vida coletiva dos povos do Xingu. O percurso expositivo parte do entendimento de que os jogos, nessas comunidades, não se restringem à dimensão competitiva, mas operam como dispositivos de transmissão de memória, integração social e reafirmação identitária entre crianças, jovens, adultos e idosos, independentemente de gênero.
Na abertura da exposição, Mydjere Kayapó, vice coordenador executivo da Federação dos Povos indígenas do Pará – FEPIPA, falou sobre os Jogos Indígenas do Xingu para o público presente, ressaltando a importância da valorização da cultura indígena em âmbitos que ultrapassam os territórios.
O festival que deu origem ao acervo reuniu mais de 900 indígenas, de 14 etnias, entre 17 e 20 de julho de 2025, na arena montada na orla do cais de Altamira, às margens do rio Xingu. As provas destacaram força física, habilidades individuais e coletivas e a centralidade da cultura ancestral nas práticas esportivas. Arco e flecha, arremesso de lança, corrida de bastão, cabo de força, tiro ao alvo e corrida livre de 100 metros (nas categorias masculina e feminina) dividiram espaço com canoagem, futebol e natação.
A região do Médio Xingu, tendo Altamira como centro, reuniu durante quatro dias as etnias Arara, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Xikrin do Trincheira Bacajá, Kayapó do Kararaô, Parakanã, Araweté e Juruna, além dos povos convidados Gavião Kyikatejê, Krimei Xikrin (do Rio Cateté) e Kayapó Mebêngôkre (da Terra Indígena Kayapó). A programação articulou arte, música, esporte, saberes e fazeres tradicionais em uma ritualística que celebra a vida coletiva e a continuidade cultural.
O título da mostra sinaliza que a proposta ultrapassa fronteiras territoriais e dialoga com cultura, esporte e turismo como dimensões complementares. As imagens funcionam como referenciamento geográfico e simbólico de Altamira, ao mesmo tempo em que reforçam a identidade dos povos participantes e a salvaguarda de suas tradições.
Após Curitiba, a itinerância seguirá por Brasília, São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Belém e se encerrará em Altamira. A circulação foi concebida como ferramenta de divulgação de uma mobilização legítima dos povos originários, evidenciando valores culturais que asseguram a continuidade de histórias transmitidas por gerações, mitos e rituais sagrados.
O MAI, primeiro museu particular do Brasil dedicado exclusivamente à produção artística indígena, oferece o contexto institucional para a abertura do circuito. Com mais de 800 metros quadrados, o espaço reúne arte plumária, cerâmica, cestaria, instrumentos musicais, máscaras ritualísticas, bancos, adornos e objetos utilitários, estabelecendo um diálogo direto entre o acervo permanente e a narrativa fotográfica apresentada.
A trajetória de Alexandre Baena sustenta a dimensão nacional do projeto. Publicitário, cineasta e documentarista, o artista já realizou 31 exposições itinerantes pelas cinco regiões brasileiras, ocupando museus, palácios, galerias e centros culturais. Em 2023, apresentou ‘Esmolação – Imagens da Marujada de Bragança pelo Brasil’. No primeiro semestre de 2024, levou ao público ‘Juruti – Festival das Tribos’, que ganhou edição especial na Green Zone da COP30, em Belém, além de montagem paralela no Complexo Mercado de São Brás. No final de 2025, realizou ‘Caminhos para Belém – o amor que flui como água’ e ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’.
A nova exposição conta com patrocínio da Prefeitura de Altamira e do Governo do Estado do Pará, por meio do Banpará, da Secretaria de Estado de Cultura e da Secretaria de Estado de Turismo. Recebe apoio da Federação dos Povos Indígenas do Pará (FEPIPA) e do mandato do senador Jader Barbalho, com realização da MAB Comunicação.
Serviço
Exposição: ‘Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral’
Artista: Alexandre Baena
Técnica: fotografias
Abertura: 10 de fevereiro de 2026, às 19h
Local: Museu de Arte Indígena – MAI
Endereço: Avenida Água Verde, 1413 – Curitiba (PR)
Contato: Bernadete Barroso – bernnadete@gmail.com









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