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Foto: PC Carvalho
O
Brasil é o 7º maior consumidor de alumínio do mundo e o Pará tem as melhores
condições do mundo para produzir alumínio: bauxita de excelente qualidade,
refino rentável e energia limpa. O problema é que a energia elétrica tem custo
alto e imprevisível, o que pode causar o declínio do mercado nacional. Um
regime de energia competititvo e de longo prazo é a principal reivindicação do
setor, declarou o vice-presidente de Bauxita e
Alumínio da Norsk Hydro, Alberto Fabrini Jr., que também preside a Abal – Associação
Brasileira do Alumínio, ao detalhar na Assembleia Legislativa do Pará o projeto
“Para Sempre”, que trata da cadeia integrada como propulsor do
desenvolvimento no Pará, durante sessão especial presidida pelo deputado Márcio
Miranda, presidente da Casa, de iniciativa do presidente da Frente Parlamentar
da Mineração no Pará, deputado Raimundo Santos.
A
gigante sediada na Noruega está em negociação com a Alloys Pará sobre o
fornecimento de sucata e escória (
resíduo deixado pela fusão de metais) para produção de
alumínio secundário. A proposta é de fornecer, na primeira fase, até 3.600
toneladas /ano de metal líquido, para a produzir lingotes extrudados. No total,
a Hydro do Brasil se diz preparada para fornecer até 84 mil toneladas/ano e
também quer investir na fundição primária de ligas especiais (PFA), por meio da
Albrás, com capacidade de 40 mil toneladas/ano. E pretende, ainda, continuar a
fornecer 50 mil toneladas/ano de metal à Alubar, uma das maiores produtoras de
fio-máquina e cabos de alumínio do Brasil. A empresa anunciou o compromisso de colaborar
para a construção de uma ferrovia no Pará, por meio de estudos e contratação de
carga.
Durante
a sessão, treze vereadores de Barcarena se manifestaram, através de um
representante da Câmara que foi à tribuna, denunciando que a Hydro tem uma
dívida de R$7 milhões com a prefeitura de Barcarena e que, ao invés de pagar,
está recorrendo na Justiça. Outra queixa é de que os melhores salários são para
profissionais de fora do Pará, em detriment dos paraenses,
além do temor de um desastre ambiental nos moldes do que houve em Mariana(MG). O
deputado Raimundo Santos lembrou que comitiva da Frente Parlamentar da
Mineração, liderada pelo presidente da Alepa, Márcio Miranda, já vistoriou
recentemente as instalações da Hydro em Barcarena, dando especial atenção ao
tratamento de resíduos, e que as visitas técnicas deverão se estender a
Paragominas e Oriximiná. 
Por sua vez, o deputado Renato Ogawa pediu e obteve o apoio da Frente Parlamentar da Mineração e do Simineral para a realização de uma audiência pública destinada a discutir os impactos ambientais das fábricas e minas.
O presidente do Simineral, José Fernando Gomes Jr., enfatizou que o
Sindicato das Empresas de Mineração no Pará já assinou o projeto Pará 2030 e
assumiu compromissos com a verticalização da cadeia produtiva. Aproveitou para
divulgar o concurso de redação que vem mobilizando milhares de estudantes para
o tema Mineração e Sustentabilidade, nas escolas públicas paraenses.
Metal leve, flexivel e infinitamente reciclável, o alumínio tem grande
aproveitamento nos setores de embalagem, automotivo e de edifícios. A Hydro é a
número 1 do Brasil na lavra de bauxita (MRN em Oriximiná e Terra Santa e Hydro
Paragominas) e na produção de alumina (Alunorte, em Barcarena) e alumínio
(Albarás, em Barcarena) e sustenta estar gradativamente mudando os seus cargos de
direção para o Pará, onde Fabrini – o único executivo não norueguês que faz
parte do
board corporativo da Norsk Hydro – já mora há três anos.  



A
verticalização da produção, insistentemente cobrada pelo governador Simão
Jatene e pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e
Energia, Adnan Demachki, foi reforçada pelos deputados Márcio Miranda e
Raimundo Santos, da tribuna. 
O
contrato da Hydro com o porto de Vila do Conde foi celebrado em 1994, com
duração de 25 anos. Está chegando ao fim, e deve ser renovado por mais 25 anos.
Já o contrato para fornecimento de energia da usina hidrelétrica de Tucuruí
acaba em 2024. A empresa assumiu o compromisso de colaborar para a construção
de uma ferrovia no Pará, por meio de estudos e contratação de carga.
Estavam também presentes os deputados Eliel Faustino, Carlos Borlalo e Cássio Andrade, os secretários adjuntos da Secretaria de Estado de Justiça
e Direitos Humanos – Sejudh, Rodivan Nogueira; e da Secretaria de Estado de
Meio Ambiente e Sustentabilidade – Semas, Ronaldo Lima; representantes da
Sedeme,  Seplan, Fecomércio e Associação Comercial, e vereadores de
Barcarena e Paragominas.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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