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O ministro Thomas Traumann (Comunicação Social) caiu hoje. É o terceiro que não resiste às turbulências do governo que começou há menos de três meses. Em nota lacônica,o Palácio do Planalto não diz o porquê e nem quem assumirá a pasta. Mas o motivo é evidente, assim como foi o da saída espetacular de Cid Gomes (Educação), que teve peito de ir ao Congresso Nacional confirmar o que falou no gabinete do reitor da UFPA, mandar que parlamentares acusados de achaques largassem o osso e até apontar o próprio presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ). 

Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada anteontem, revela que só 10,8% das pessoas ouvidas avaliam positivamente o governo da presidente Dilma Rousseff. Quando um governante vai mal assim perante o distinto eleitorado, o foco naturalmente se volta para a Comunicação. Afinal, é a quem cabe a interlocução com a imprensa, gerenciar as estratégias de todos os ministérios e definir a aplicação das verbas publicitárias do governo, além de cuidar das redes sociais (Twitter, Facebook, Instagram e outras).
Nas últimas semanas, ninguém dava mais um tostão pela permanência do jornalista no cargo. É que, dois dias depois de dois milhões de manifestantes terem ocupado as ruas do País protestando contra Dilma Rousseff, vazou um documento da Secom que avaliava erros e estratégias do governo e tachava a comunicação do Palácio do Planalto como “errada e errática”, apontando uma situação de “caos político”. Parlamentares de oposição logo  pediram a cabeça do ministro. O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), protocolou na sexta (20) representação junto à Procuradoria da República do Distrito Federal para a abertura de inquérito civil contra Thomas Traumann por prática de improbidade administrativa, pedindo inclusive a perda da função pública. A ação denuncia o uso da Secretaria de Comunicação para a promoção pessoal da presidente Dilma, de modo a viabilizá-la eleitoralmente, além do compartilhamento de responsabilidades exclusivas da Pasta com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros. E hoje mesmo Comissões da Câmara e do Senado aprovaram convite para que esclarecesse o conteúdo do documento; por exemplo, a estratégia de utilizar “robôs” para divulgar conteúdo favorável à presidente Dilma Rousseff em redes sociais. No documento, aparecem também análises sobre as estratégias das campanhas de Dilma em 2010 e 2014, além de propostas para “virar o jogo” eleitoral. “Esse proceder do ministro ofende os princípios da impessoalidade e da legalidade e, por consequência, faz com que ele incorra no disposto no art. 11 da lei 8.429/92”, acusa a petição.

Minutos após o anúncio da sua demissão, Traumann postou no Twitter trechos da música “Novos Rumos”, do compositor Paulinho da Viola: “Vou imprimir novos rumos ao barco agitado que foi minha vida. Fiz minha velas ao mar, disse adeus sem chorar e estou de partida. Todos os anos vividos são portos perdidos que eu deixo para trás. Quero viver diferente, que a sorte da gente é a gente que faz”, desabafou. Para quem entende, meia palavra basta.

A presidente Dilma pode esperar mais agonia nos próximos dias. Ainda hoje, o Senado aprovou urgência para votação do projeto que permite a aplicação imediata – sem necessidade de regulamentação – da lei de renegociação de dívidas de Estados e municípios com a União. Ontem o projeto – que bate de frente com o governo – já foi aprovado na Câmara. Um acordo costurado na última hora evitou a votação no Senado, mas o senador Renan Calheiros(PMDB-AL) já avisou que, se governo não ‘construir uma solução’, a votação será na terça.  Ou seja: ou dá ou desce. Valha-nos, quem?
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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