0
 

Foto: Assessoria Fenaj
A Comissão da Verdade da Federação Nacional dos Jornalistas já levantou 150 casos de profissionais de Comunicação vítimas de violência praticada pela ditadura militar, envolvendo prisões, tortura, morte, desaparecimento e perseguições. Os casos, identificados pelos Sindicatos estaduais, integrarão o relatório que será entregue em julho à Comissão Nacional da Verdade.
Durante reunião com os jornalistas Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional de Jornalistas, Celso Schröder, presidente da Fenaj, Audálio Dantas e Sérgio Murilo de Andrade, presidente e coordenador da Comissão da Verdade da Fenaj, respectivamente,  além do deputado federal e ex-ministro dos Direitos Humanos Nilmário Miranda (PT-MG),  que também é jornalista; deputado federal Paulo Fernando (PT-AL) e presidentes das Comissões da Verdade dos Sindicatos dos Jornalistas, em Maceió, relatei as perseguições que tenho sofrido por publicar a verdade, no pleno exercício do direito constitucional à minha profissão de jornalista, em especial os processos movidos pelo ex-vereador Gervásio Morgado e o ex-deputado Luiz Afonso Sefer, que dispensam apresentações, além do fato de ter recebido duas ameaças de morte através de comentários anônimos em meu blog, há três anos, que denunciei publicamente, pedi providências formalmente ao Ministério Público, que despachou para a polícia abrir inquérito e nada foi feito; o MPE-PA chegou a ajuizar ação penal na qual foi determinada a apuração policial, dezenas de ofícios do promotor foram dirigidos ao ex-delegado geral, e só em agosto do ano passado, com um ofício à corregedoria, houve um andamento; mesmo assim, para concluir que, decorrido tanto tempo, não havia como descobrir a autoria das ameaças.
Após a definição da resolução das Nações Unidas de 2 de novembro como o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade, apelamos a todos os países do mundo a tomarem medidas imediatas para proteger a segurança e a liberdade dos jornalistas”, declarou o presidente da FIJ, Jim Boumelha, chocado com o curriculum dos dois indivíduos que tentam usar o Poder Judiciário para me intimidar. A resolução da ONU “inequivocamente condena todos os ataques e violência contra jornalistas e profissionais de mídia, tais como tortura, execuções extrajudiciais, desaparecimentos e detenções arbitrárias, bem como casos de assédio e intimidação em situações conflito e fora deles“. 
Jim Boumelha também observou que dados levantados pela FIJ revelam um aumento da violência contra mulheres jornalistas. Seis delas perderam a vida no ano passado, enquanto muitas outras foram vítimas de assédio moral, discriminação e abuso sexual. “Muitos jornalistas se tornaram alvo selecionado apenas fazendo seu trabalho e as agressões se destinavam claramente para silenciá-los, o que exige a punição dos perpetradores de violência. Em resposta a essa necessidade, em outubro de 2013 a FIJ lançou a campanha “Fim da impunidade para a violência contra jornalistas”.  
O presidente da Comissão da Verdade da Fenaj, Audálio Dantas, disse que a herança de violência da ditadura continua, silenciosa, e citou como exemplos a morte do cinegrafista Santiago Andrade, o meu caso, e os assassinatos recentes de jornalistas no País. Afirmou que todas essas situações precisam constar no relatório final que será entregue à Comissão Nacional da Verdade, salientando que há centenas de casos em diversas circunstâncias, em todo o Brasil.
O deputado federal Nilmário Miranda falou que, como membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, tomará providências em relação ao relato. 
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Política e Comunicação

Anterior

PMs agridem jornalistas do Pará

Próximo

Você pode gostar

Comentários