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A Câmara de Belém conviveu, durante o ano passado, com uma laranja digna de ganhar prêmio em qualquer feira de agricultura. É que um dos primeiros exemplares do Diário Oficial deste ano trouxe, discretamente, a exoneração de Ruth Maria Barbosa Santos, chefe da Divisão Recursos Humanos (DAS 200.4). Nenhum servidor da Casa chegou a conhecer essa pessoa, encarregada justamente do setor mais diretamente ligado ao controle de funcionários e responsável, inclusive, pela comprovação da existência deles, embora ela tenha passado pelo menos seis meses como sua diretora.
Pra lá de estranho também é que o ato de nomeação, datado de 1º de julho de 2010 e assinado pelo ex-presidente Walter Arbage (PTB), e 1º e 2º secretários, José Scaff (PMDB) e Gervásio Morgado (PR), respectivamente, só foi publicado no DO da Câmara em 17 de janeiro de 2011, depois da exoneração, publicada em 3 de janeiro de 2011 já com a assinatura do novo presidente, Raimundo Castro (PTB).
A galeria de fantasmas que assombram os legislativos é extensa, mas Ruth Santos existe e foi indicada para o cargo pelo vereador Raul Batista (PRB), só que jamais passou sequer pela porta da Câmara de Belém, até porque mora em Macapá e nunca saiu de lá para exercer a função constante na folha de pagamento do Legislativo Municipal da capital paraense. Foi nomeada em substituição a sua nora, Carlena, que ocupou o cargo até o fim do primeiro semestre de 2010.
A Câmara de Belém já tem know-how no tema. Foi lá que surgiu, em 2009, o primeiro escândalo de doméstica (Maria do Carmo Viegas, empregada da vereadora Vanessa Vasconcelos) na folha de pagamento do Legislativo, com salário de R$4 mil.

Deem uma olhada nas cópias dos Diários Oficiais da Câmara aí embaixo e confirmem os atos.
De quebra, vocês veem do lado esquerdo o extrato do 4º Termo Aditivo ao contrato dos famigerados vales-alimentação da Câmara, de R$593.550,00, dos quais só R$163 mil vão para todo o universo de servidores da Casa e o “resto” é dos vereadores. Detalhe: em março, o valor dos vales alcançou R$707 mil.

Com a palavra o MPE e o MPT, que já estão ficando calejados no laranjal.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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