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Ontem, familiares da pequena Elisa Ladeira Rodrigues, de dois aninhos, desaparecida em Anajás em setembro do ano passado, na comunidade do Zinco, mandaram áudio desesperado pedindo socorro à polícia, relatando que uma das noras da avó da bebê foi agredida e estava refém sob ameaça de uma faca no pescoço, e o sujeito dizia que Elisa “só seria devolvida se a família entregasse o que ele comprou”. A Superintendência Regional do Marajó, através da Delegacia de Polícia Civil no município de Anajás, foi lá e prendeu Fabiano Ferreira Trindade, que – pasmem – já tinha contra si mandado de prisão preventiva exarado pela Vara Única de Anajás nos autos de um processo de estupro de vulnerável, que tramita em segredo de justiça, foi apontado durante as buscas da menina no ano passado, acusado de ter comprado Elisa, mas solto imediatamente, tendo sido aceita como álibi a mera declaração de que ele estava a duas horas de distância do local do sumiço da criancinha, como se isso o isentasse da participação no crime, que a invasão, agressão e ameaça à família da menina agora aponta com clareza solar.

O desaparecimento de Elisa continua um mistério e a investigação cheia de revezes. Renan, o homem que o cão farejador da PMPA identificou com o cheiro da bebê, disse que tinha vendido a menina por mil reais a Fabiano, que a teria estuprado e matado. A polícia prendeu os dois. Fabiano logo foi solto. Renan fugiu durante a reconstituição do crime e após dias embrenhado na mata se entregou já com advogado, foi transferido para Belém e encontrado morto em circunstâncias até hoje não esclarecidas, logo no retorno ao estabelecimento prisional, depois da audiência de custódia. Desde então o silêncio impera sobre o caso.

Na primeira semana deste ano, fotos e áudios circularam em grupos de WhatsApp mostrando uma menina com características semelhantes às de Elisa, em Barra do Corda (MA). A PMMA e o Conselho Tutelar do município maranhense foram até a residência em que a criança estava, visivelmente abalada depois de ter sido resgatada das mãos de um desconhecido. A avó de Elisa confirmou que se tratava de sua neta. Entretanto, consultados com exclusividade pelo portal Uruá-Tapera, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Ualame Machado, e o delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Walter Resende, declararam que o caso continua sob investigação, mas nada foi confirmado.

Fabiano Ferreira Trindade está custodiado nas dependências da Delegacia de Polícia Civil de Anajás. Será mais um exemplo gritante da impunidade secular que vitima as crianças marajoaras se for de novo liberado, ainda mais sem que se exija dele a devolução da pequena Elisa, em lugar incerto e não sabido há seis meses.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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