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Falta soro antibotrópico em Anajás

Os acidentes com animais peçonhentos no município de Anajás, no arquipélago do Marajó, vêm se intensificando devido ao desmatamento e precisam de atenção por parte das autoridades. Os extrativistas adentram nas matas sem Equipamento de Proteção Individual (botas sete léguas cano longo, terçado, luvas e calças para alagado), por falta de condições financeiras, e os ataques resultam na paralisação da atividade, o que leva as famílias a passarem necessidade enquanto os pacientes se recuperam. Pior é quando eles chegam a uma Unidade de Saúde e não há o medicamento essencial para conter o veneno, como o soro antibotrópico, fazendo com que a vítima morra ou fique deficiente pelo resto da vida, com a amputação de membros inferiores.
 
Os relatos são terríveis. No  último dia 23 de setembro, por exemplo,  José Carlos do Nascimento, morador do Rio Mocoões, picado pela serpente surucucurana, demorou mais de 10h para chegar ao Hospital Municipal de Anajás, que não tinha soro antibotrópico, e só depois de dois dias internado lhe foi aplicada a medicação, enviada de Breves, tendo o veneno se espalhado em sua perna. O rapaz não consegue andar e está se tratando em casa com muita dificuldade, falta até gaze para o curativo, o ferimento se agravou e está gangrenando, precisando de enxerto para evitar sofrer amputação em sua perna esquerda.
 
José Antônio, residente no Rio Mocoões, Vila Joviniana, picado pela serpente surucucurana, na mesma data, demorou mais de 8h para ter assistência.
Renato Costa Medeiros, lavrador na Boca do Furo do Breu Baixo Anajás, também foi picado por uma surucucurana, no dia 24 de setembro deste ano, às 13h, e socorrido pelo primo e pelo parceiro de trabalho que o transportaram de “rabeta” até perto do hospital, onde foi socorrido às 16h pelo “Dr. Birão”, que lhe aplicou soro normal. O soro antibotrópico só foi ministrado depois de 24h, já em Belém, onde passou internado três dias, e até hoje sente fortes dores na perna, sem condições ainda de trabalho
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