Publicado em: 13 de abril de 2026
O fim de semana trouxe um déjà vu indigesto para o torcedor paraense. Tanto Remo quanto Paysandu repetiram o mesmo roteiro: saíram atrás no placar e buscaram o empate já na reta final, ambos em lances de bola parada. O ponto somado pode até ser comemorado pelas circunstâncias, mas o contexto revela mais inquietações do que alívio em certames nacionais que não costumam perdoar oscilações prolongadas.
No caso do Remo, pela décima-primeira rodada da Série A, a frustração é ainda maior. Jogando no Mangueirão, no sábado (11), diante de um Vasco fragilizado e mal treinado, o clube azulino deixou escapar uma oportunidade valiosa de somar três pontos. O placar final foi 1 a 1. Andrés Gómez abriu o placar para os cruzmaltinos e Marllon, de cabeça, empatou. A equipe azulina até apresentou uma atuação razoável em alguns momentos, mas esbarrou na baixa eficiência ofensiva, um problema que tem se tornado recorrente. Faltou agressividade, sobrou cautela.
A postura excessivamente defensiva ajuda a explicar o cenário. Ao lado disso, Alef Manga e Zé Ricardo, dentre outros, tiveram atuações tecnicamente abaixo do esperado, comprometendo a fluidez do time. Na prática, os números traduzem o momento delicado: menos de 25% de aproveitamento, apenas 8 pontos somados (uma vitória, cinco empates e cinco derrotas), ocupando a 18ª posição e a três pontos de sair da zona de rebaixamento. O próximo desafio será fora de casa, contra o Bragantino, em Bragança Paulista. Até a pausa para a Copa do Mundo, o Remo ainda terá sete jogos (quatro em Belém e três como visitante), um recorte que pode indicar o rumo da equipe na competição.
O Paysandu, por sua vez, ainda tenta se recompor após a dura goleada sofrida para o Nacional pela Copa Norte, ocorrida na quinta (09). De volta à Série C, o time teve uma semana cheia de treinamentos, mas não conseguiu transformar preparação em vitória. Diante de um Brusque extremamente fechado, no domingo (12), na Curuzu, o Papão encontrou dificuldades para furar o bloqueio adversário, apesar de ter maior volume de jogo e criar algumas boas oportunidades.
Há, todavia, um elemento externo que merece registro: a arbitragem. Um gol legítimo do Paysandu foi anulado, e a condução da partida foi marcada por excessiva tolerância com a “cera” do adversário, o que contribuiu para o ritmo truncado do jogo. Ainda assim, o empate em 1 a 1 mantém o clube bicolor com 4 pontos e dentro do G8, zona que garante classificação à próxima fase. O próximo compromisso será, novamente, em Belém, contra o Barra, em mais uma chance de transformar desempenho em resultado.
No fim das contas, os empates deixam uma sensação ambígua. Se por um lado demonstram capacidade de reação, por outro escancaram limitações que precisam ser corrigidas com urgência. Em campeonatos longos, nivelados e competitivos, oportunidades não podem ser desperdiçadas.
A pergunta que fica é: Remo e Paysandu vão converter eventuais reações em vitórias e pontos na tabela?
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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