Publicado em: 11 de fevereiro de 2026
Políticos silenciam Deus para usar seu nome. Atualmente, muitas pessoas concordam que a principal razão para desconfiar de políticos reside justamente em sua atitude, pois frequentemente tratam o povo como ingênuo ou incapaz de compreender seus discursos e ações.
No Brasil, especialmente a partir de 2019, a desconfiança em relação aos discursos de certos políticos intensificou-se. Desde então, tornou-se quase normal tolerarmos, diariamente, declarações medíocres invadindo nosso universo auditivo, sempre justificadas com frases “em nome de Deus”, “sob orientação de Deus” ou algo similar.
Imagino que, se Deus pudesse falar sobre a frequência com que alguns políticos usam Seu nome para justificar e validar ações, certamente diria que tais atitudes Lhe causam profunda vergonha e desonra. E, se Ele pudesse votar, provavelmente não escolheria nenhum político que usa Seu nome para ludibriar as pessoas.
Certamente, os eleitores – ou pelo menos uma parte deles – também têm sua parcela de responsabilidade por esse fenômeno de crescimento da baixa qualidade dos representantes, notadamente nos Poderes Legislativos. Afinal, se a escolha, ou seja, o voto, não se baseasse nesse tipo de discurso, a fotografia política seria bem diferente da atual.
Em períodos eleitorais, é comum nutrir a esperança de que o voto pode transformar o Brasil. Acreditar que podemos usar nossa voz e nosso voto para tornar a sociedade melhor e mais feliz é algo legítimo e natural. No entanto, a evolução da consciência política de cada eleitor nem sempre ocorre de forma contínua. Ainda assim, há uma grande expectativa de que a próxima eleição seja um momento crucial, no qual as pessoas percebam que o voto não tem preço, mas sim consequências capazes de fazer a diferença.
Para que a política seja levada a sério, portanto, é fundamental que os eleitores também levem a sério o ato de votar. Dessa forma, demonstrarão, de fato, o quanto valorizam a democracia, a liberdade, o próprio voto e o bem-estar coletivo.
O eleitorado parece inclinado a reagir contra candidatos que traíram sua confiança. Há um clima favorável à exclusão de candidatos “Judas” da ordem de preferência. É vital, nas próximas eleições, escolher candidatos que trabalhem e deliberem projetos legislativos que de fato beneficiem a todos, sem se esconder atrás de discursos religiosos. Por isso, é imprescindível excluir os maus exemplos e optar pelos bons.
Votar é um ato legítimo para aprimorar a qualidade daqueles que representarão as necessidades mais importantes da sociedade – em matéria de saúde, educação, transporte, emprego e renda – nos âmbitos dos Poderes Legislativo e Executivo.
A característica essencial do voto é que ele parece adquirir vida própria após ser depositado na urna. Portanto, é necessário ter em mente que o voto existe, antes de tudo, para promover o bem comum. O objetivo maior do ato de votar é potencializar a satisfação das necessidades de ordem econômica, social e cultural de um país e de seu povo. Francamente, não consigo imaginar uma razão mais virtuosa para o ato de votar.
REFERÊNCIAS
ARONSON, Elliot. O animal social. São Paulo: Editora Goya, 2023.
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2018.
MORAES, Alexandre de. Democracia e Redes Sociais: Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2025.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. São Paulo: Bertrand Brasil, 1994.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista



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