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Dom Azcona no seu dia-a-dia, sempre servindo com humildade
A Universidade Federal do Pará vai outorgar o título de Doutor Honoris Causa ao bispo emérito do Marajó, Dom José Luiz Azcona Hermoso. Trata-se do mais alto dos graus universitários, concedido a personalidades que se destacam pelo saber ou pela atuação em prol das Artes, das Ciências, da Filosofia, das Letras ou do melhor entendimento entre os povos. Ser humano iluminado, trabalhador, humilde e boníssimo, Dom José Azcona dedica toda a sua vida às comunidades mais pobres e é incansável na luta em defesa da vida e dos direitos humanos e de cidadania. O justo e oportuno reconhecimento pela UFPA serve de estímulo a outros homens e mulheres, religiosos ou não, para que travem o bom combate.

Recentemente, o projeto de combate ao abuso sexual infantojuvenil desenvolvido pela Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte II, por sua inspiração, obteve reconhecimento nacional ao vencer o IV Prêmio República, do Ministério Público Federal, na categoria Responsabilidade Social. O sacerdote também já foi agraciado com comendas pela Assembleia Legislativa do Pará, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região e pelo Movimento Humanos Direitos, entre várias outras entidades e organismos nacionais e internacionais.

Dom Azcona é um verdadeiro guerreiro contra o secular abandono do arquipélago marajoara, e defende o foco na agricultura, extrativismo e turismo sustentável, levando em conta a realidade, o modo de viver, sentir e fazer, de forma a estimular o protagonismo da gente do Marajó, onde crianças são vítimas de violência, diariamente, sob as mais variadas formas: trabalho infantil, maus tratos, abusos e tráfico humano de meninos e meninas que, tangidos pela miséria e desagregação familiar, deixam a escola para serem submetidos a todo tipo de exploração. 

Por denunciar há décadas várias ações criminosas, como o tráfico de armas, o narcotráfico, a exploração sexual de crianças e adolescentes, o tráfico de mulheres, a devastação ambiental e a pesca predatória na região, o religioso sofre constantes ameaças de morte.

Dom Azcona nasceu no dia 28 de março de 1940, em Pamplona, na Espanha. Filho de Martin Azcona e Esperança Hermoso, manifestou, ainda muito cedo, a vocação religiosa: ingressou aos dez anos de idade no seminário da cidade de San Sebastian. Lá estudou o ensino médio e cursou Filosofia. Em Granada, estudou Teologia e foi ordenado sacerdote em 21 de dezembro de 1963, em Roma (Itália). Em 1965, concluiu o doutorado em Teologia Moral, na Universidade Lateranense de Roma, no Instituto de Teologia Moral dos Redentoristas (Alfonsiano). Dom Azcona atuou como capelão de imigrantes espanhóis na Alemanha (1966-1970); professor de Teologia Moral e Espiritualidade, em Monachil, Granada (1971-1975); prior provincial da Província de Santo Tomás de Vila Nova (1975-1981); vice-mestre dos noviços no Deserto da Candelária, Colômbia (1982); e mestre de noviços em Los Negrales, Madri (1983); além de experiência de vida contemplativa em Úrcal, Almeria-Espanha (1984), para, finalmente, em 1985 vir ao Arquipélago do Marajó, no Pará. 

Em 25 de fevereiro de 1987, foi nomeado bispo pelo papa João Paulo II e assumiu a prelazia do Marajó em 12 de abril do mesmo ano. Ao completar 75 anos,conforme determina a lei canônica, requereu a aposentadoria. O papa pediu que ficasse por mais um ano. Em 1º de julho do ano passado foi nomeado seu sucessor, Dom Evaristo Pascoal, que assumiu em Soure no dia 27 de agosto.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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