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Peso 1, medida 1: O médico Mauro Coelho Ribeiro, da Santa Casa de Misericórdia, foi acusado de abuso sexual por uma menina de 14 anos, que acabara de abortar espontaneamente. Num primeiro momento, as informações oficiais eram de que há uma testumunha ocular do crime. Num segundo momento, as mesmas informações oficiais dizem o contrário. Apesar da contradição e antes mesmo do resultado da perícia, o anestesiologista foi imediatamente afastado do serviço, preso e recolhido à penitenciária, porque se levou em conta a importância do relato da vítima. Nota 10 para a agilidade e providências com a urgência que a gravidade do caso requer.
Mas pasmem: em nenhum momento o Conselho Tutelar, o Pró-Paz, a Polícia e o MP se interessaram em saber quem engravidou a adolescente. Nem a mãe da garota fez qualquer referência ao fato.
Peso 2, medida 2: O também médico e ex-deputado Luiz Afonso Sefer foi acusado de ter estuprado, com requintes de perversidade, uma criancinha de 9 anos, durante três anos seguidos, em sua própria casa. Todos os laudos periciais comprovaram a violência sexual, houve ameaças às testemunhas e à própria vítima, foi apurado que não era a primeira criança levada pelo réu para morar em sua casa – o que, convenhamos, é no mínimo estranho para um homem cinquentão que mora sozinho -, e que ele engravidou uma adolescente menor de 15 anos.
Entretanto, apesar das robustas provas, elencadas no pedido de prisão feito pelo Ministério Público e de pronto aceitas pelo juiz titular da Vara de Crimes contra a Infância e a Adolescência, ele não chegou nem a ser recolhido à cadeia. Numa agilidade espantosa em favor do réu e não da vítima, o desembargador relator e as Câmaras Criminais Reunidas do TJE-PA mandaram sustar sua prisão e aceitaram todos os argumentos de seus advogados, no sentido de que, por todos os seus méritos(!), Sefer deve responder ao processo em liberdade. Isto depois de quase um ano de investigações do Pró-Paz, Conselho Tutelar, inquérito policial, duas manifestações do Ministério Público, produção de documentos, interrogatórios de provas pelas CPIs da Pedofilia do Senado e da Alepa, todos concluindo pela culpa de Sefer, entregues via protocolo ao juízo do feito! Ah! E quem são as testemunhas de defesa? A própria irmã do réu, sua atual namorada e seus empregados!
Pior: o processo deu entrada no Judiciário em 16/04/2009. E, até agora, sequer o réu foi ouvido, o que deve acontecer na próxima terça-feira, se não houver novo adiamento. E Sefer está livre, leve e solto por aí, até já se filiou a outro partido político, e ano que vem vai se candidatar a deputado estadual de novo, para juntar imunidade parlamentar à sua impunidade.
A vítima? Está escondida, encolhida, humilhada, destruída e ameaçada. Cadê a Justiça?!
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Atenção, coleguinhas!

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