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O 3º Relatório de Transparência Salarial do governo federal mostra que mulheres ganham 20,9% menos que os homens em empresas com mais de cem funcionários. Em cargos de direção e gerência, essa diferença salta para 27%, enquanto em funções de nível superior chega a 31,2%. Poucas empresas estabelecem metas de equidade, e a presença de líderes mulheres segue sendo minoria.

Contudo, organizações com maior diversidade de gênero em posições de liderança apresentam 25% mais probabilidade de ter rentabilidade acima da média. É preciso criar políticas estruturais que não dependam da boa vontade individual, mas que sejam parte intrínseca da cultura organizacional. Isso inclui desde a revisão dos processos seletivos até a implementação de comitês de equidade que monitorem constantemente os indicadores de inclusão. 

Especialistas apontam que a transformação passa não apenas por políticas de remuneração justa, mas também pelo fortalecimento da jornada de carreira feminina. Nesse sentido, o investimento em desenvolvimento e capacitação profissional aparece como uma das formas mais eficazes de reduzir desigualdades. No entanto, esses programas só são eficazes quando acompanhados de um ambiente que legitime a presença feminina em espaços de poder e inovação.

Programas estruturados de desenvolvimento são fundamentais, mas precisam ser acompanhados de mudanças culturais profundas. Não basta criar oportunidades se o ambiente não for receptivo ao protagonismo feminino. É essencial que as empresas invistam em educação sobre viés inconsciente e criem espaços seguros para que as mulheres possam expressar suas ideias e assumir riscos sem medo de serem penalizadas por características associadas ao gênero.

A permanência feminina no mercado de trabalho depende também de políticas que considerem as demandas do cotidiano, como flexibilidade e suporte organizacional. Pesquisa da Deloitte mostra que 48% das mulheres já consideraram deixar seus empregos por falta de flexibilidade e apoio no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

A indústria de games e tecnologia, por exemplo, tem potencial imenso para liderar a transformação na inclusão feminina, mas é preciso ir além das boas intenções. A última edição da Pesquisa Gamer Brasil revelou aumento significativo no número de mulheres consumidoras de jogos digitais, representando 50,9% do perfil geral e reafirmando a presença feminina nesse segmento. 

No setor de tecnologia, onde a demanda por talentos é altíssima, a inclusão feminina não é apenas uma questão de justiça social, mas de sobrevivência competitiva. 

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostram que, em cinco anos, serão criados quase 800 mil novos postos. No entanto, o Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, o que deve gerar um déficit de cerca de 530 mil pessoas para atuar no setor.

Um relatório da Google for Startups reforça esse cenário ao prever um desequilíbrio semelhante — 530 mil profissionais de TI até o final de 2025.

Os investimentos em inclusão deixam de ser custo para se tornarem vantagem competitiva. 

Segundo a pesquisa Todas Group 2025, apenas 10% das empresas têm mais de 50% de mulheres em cargos de liderança. A presença de líderes mulheres em posições de destaque funciona como um poderoso efeito multiplicador, inspirando outras profissionais a perseguirem cargos de maior responsabilidade. 

Pesquisa Harvard Business School revelou que 40% dos profissionais aceitariam uma redução salarial de ao menos 5% para manter o modelo remoto. Esse dado não apenas evidencia uma preferência pela flexibilidade, mas também sinaliza uma mudança cultural nas expectativas relacionadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

Segundo o levantamento da VR, realizado com 33 mil empresas, revelou que 70% dos atestados para acompanhamento de filhos e familiares em consultas médicas são apresentados por mulheres. Esse dado não apenas evidencia a sobrecarga enfrentada por mães e cuidadoras, mas também levanta a reflexão sobre como políticas corporativas mais inclusivas e empáticas podem impactar positivamente o mercado de trabalho brasileiro.

A inclusão plena das mulheres no mercado de trabalho não depende apenas de iniciativas isoladas, mas de uma mudança estrutural que valorize a diversidade como pilar estratégico para inovação, crescimento e competitividade. Quanto mais as empresas compreenderem que equidade é sinônimo de inteligência de negócios, mais perto de um mercado de trabalho verdadeiramente justo e igualitário. 

Segunda com Caeeiro

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