Publicado em: 7 de janeiro de 2026
Selecionei alguns trechos dos autores da nossa Academia Paraense de Letras para celebrar o Dia do Leitor, afinal para o ato de escrever é preciso primordialmente a ação de ler.
É uma inseparável interação – ler e escrever – o ato de linguagem é social e evidentemente o texto é plural, se conecta, sempre foi um link para criar outro texto: toda leitura cria um segundo texto.
Como leitor, o segredo é simples, basta abrir um livro para se inspirar – bela palavra da língua portuguesa marcada pela essência da criação. O reino da liberdade se conquista com a leitura, é onde a imaginação se torna o lugar de acolhimento à desenvoltura e crescimento de toda humanidade, felicidade e civilização.
E aqui vai a minha homenagem a esses escritores que também são extraordinários leitores.
“Dia seguinte, aberto o porão, encontraram duzentos e cincoenta e dois mortos e somente quatro sobreviventes […]. O quarto era o nosso Joãzito, que foi salvo pela força do amor.”
CAVALCANTE, Agildo Monteiro. Brigue Palhaço. 2ª Reimpressão. Homenagem aos 400 anos da Cidade de Belém-PA: 2016, p. 116-117.
“[…]
Eis que o personagem central
Desta brincadeira, O Bem-Te-Vi,
Apareceu num belo voo rasante,
Exibindo sua figura marcante: cabeça preta,
Pescoço branco, barriga e peitos amarelos,
Tons vivos que lhe dão uma coloração
Alegre e encantadora.
Altivo e bem-humorado,
Pronunciou-se:
Meus amigos,
Ouvi toda a conversa de vocês,
E estou aqui para eliminar suas dúvidas.
Sou um pássaro belo e charmoso,
Que a todos encanto, também
Conhecido como Pituã, Pitanguá ou Pitaguá,
Porém, meu nome está no meu canto!
Descobriram o verdadeiro
Nome do Bem-Te-Vi?”
CRUZ JÚNIOR, Leonam Gondim da. O Nome do Bem-Te-Vi. Ilustração Mário Barata. Belém PA : Marques Editora, 2022.
ATÉ QUANDO
O inexato tempo
há de vir
e oscila provocado
o que sendo
de ausências e afagos,
de verdades e ilusões
na travessia ainda
o sol.
Vis à vis
a noite
-os sinos dobrado.
COUTINHO, Zenaldo. Essência e Margem. Edição do Autor (Coleção de Poesias). Editora Acadêmicas das Letras, Belém: PA, 2022.
“Maria, por meio da instigação, do cuidado e da conciliação focou na necessidade de consenso para ajustar missão, valores, objetivos organizacionais e normas para a sua gestão, pois era necessária a padronização de uma nova cultura. Arrisco a dizer que tudo foi realizado com receios próprios do ser humano, mas com muita sabedoria, habilidades técnicas e competências que fazem a diferença dentro de de um contexto de mudança de modelo de gestão.”
ARROYO, Maria Betânia de Carvalho Fidalgo. Maria Maria (s): autoetnografia de uma mulher na gestão e na mudança de cultura organizacional. Unama: Belém, PA, 2024, p. 204.
“Ao ouvir o nome de Armando, Oregone levanta a cabeça e questiona:
Seu filho está viajando a negócios?
-Sim, foi para a Rússia tentar a libertação de um cientista amigo de nossa família. Na verdade, será o seu futuro cunhado.
-Oregone se levanta, vai para um canto da sala e diz:
-É muita coincidência nesta vida.”
GUILHON, Claudio. Tempestade do Além. Editora Lugar Ao Sol, Belém: PA,
2023, p.328.
“Que este livro de partituras possa despertar a paixão e o amor seresteiro e póetico de muitos outros violonistas, através de melodias simples de um homem discreto e apaixonado. Que ele possa trazer de volta uma Belém de sonhos e de saudades perdidas no tempo”
HABIB, Salomão. Tó Teixeira: Violão Solo. Belém: Violões da Amazônia, 2013, p. 14.
“Numa noite em que o luar estava muito bonito, a moça chegou à beira de um lago, viu a lua refletida no meio das águas e acreditou que o deus havia descido do céu para se banhar ali. Assim, a moça se atirou no lago em direção à imagem da lua”.
RODRIGUES, Sarah Castelo Branco Monteiro Rodrigues. Vitória Régia. Nosso Folclore. Belém: PA, Cultura Brasil, 2016, p. 21.
“Ninguém se torna rico e poderoso no garimpo sem matar ou mandar matar. Não se converte em patrão de garimpo se a exploração do ouro não for guarnecida por gente inescrupulosa, sem piedade e disciplinada para a chefia do garimpo. O guaxeba recebe elevadas somas, pelo seu trabalho inóspito.”
ALVES, Ivanildo. Madrasta-Terra: Crônicas do Latifúndio na Amazônia, Belém:PA, 2023, p. 149.
“Estacionou pela lateral da praça, esperando epla reação dela, a qual continuava imóvel, com olhar distante atravessando a janela do automóvel. A moça não fazia absolutamente nada, permanecia observando e mexendo a cabeça”
MELLO, M.N. Mistérios e Fantasmas de Belém: um passeio por Belém em 6 histórias de suspense e mistérios. Belém, PA; Paka-Tatu, 2024, p. 31.
“Cântico V
Rio
de muitos nomes,
Ser
de muitas formas e fomes.
Espelho contra espelho
rio só linguagem.
Rio sim sêmen de Deus.
Amazonas
água e lama
vogais e consoantes.
Que outro nome corre no teu leito,
se outro rio corre no teu nome?
[…]
PAES LOUREIRO, João de Jesus. Porantim. OBRAS REUNIDAS-
POESIA. Textos introdutórios de Benedito Nunes e Octavio Ianni. São Paulo:
Escrituras, 2001. 2 volumes.
QUANDO PENSARES EM MIM
Quando pensares em mim, escreve como se existisse a palavra que queres.
Escreve como se existisse a forma que cabe o que pensas ou o que sentes.
Ou senão, escreve apenas, escreve, levas a caneta ao papel, deita-a sobre as
dobras do branco labirinto.
Assim sou eu também. Temos novamente algo em comum: sabemos evitar o
que criamos, sabemos evitar o que sabemos. Sabemos evitar o que nos
escreve, e sabemos evitar o que somos – sabemos, enfim, alguma coisa.
Então, é melhor não dizer, é melhor esconder, assim são as palavras: algo que
se esconde. Queres dizer o que sentes?
Experimentas escrever; escrever é a facilidade de desistir. – Vai, olha para o
papel, a folha é pura, é branca, sim, guarda a caneta, tente, como é fácil não
prosseguir. Percebe? Isso talvez seja poesia, talvez seja literatura, ou qualquer
coisa que assuste.
Não prossiga, isto talvez seja arte.
Isso de que se desiste.
CRUZ, Benilton. Quando Pensares em Mim. In: DIÁRIO DE ÍCARO, Amazônia
do Ben, www. https:novoblogblc1.blogspot.com
Para Rosangela Aguiar.






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