Publicado em: 31 de março de 2026
O Clube do Remo chega ao fim de março carregando um dado que fala mais alto do que qualquer discurso: apenas cinco vitórias na temporada. Para um clube que disputa a Série A e trabalha com orçamento muito elevado, o número é alarmante. Não se trata de oscilação pontual, mas de um padrão que começa a se consolidar dentro de campo e fora dele.
O primeiro grande sinal de alerta veio no Campeonato Paraense. O Remo perdeu o título para o maior rival, o Paysandu, em uma decisão que reforçou a sensação de fragilidade competitiva nos momentos decisivos.
Na Copa Norte, a situação é ainda mais incômoda. Em dois jogos, apenas um ponto. O empate contra o Monte Roraima-RR, neste domingo (29), dentro do Baenão, escancarou limitações técnicas e tática. O fato de o gramado estar encharcado, sob forte chuva em Belém, foi um atenuante. Mas no jogo em si, o Remo perdeu pênalti (desperdiçado por Poveda), abriu o placar com Gabriel Taliari, e cedeu o empate (com Nalbert), sendo vaiado pela própria torcida ao final.
É evidente que o contexto do jogo foi atípico. A chuva intensa travou a dinâmica e dificultou qualquer tentativa de jogo mais elaborado. Ainda assim, o futebol não se resume às condições climáticas. Times competitivos encontram soluções, mesmo no caos. O Remo, por enquanto, encontra justificativas. E a tal da “cavalaria”, com vários titulares em campo, mais uma vez fracassou.
Como se não bastasse o desempenho irregular, o clube ainda lida com problemas no elenco. O zagueiro e capitão Marllon teve que deixar o jogo contra os roraimenses antes do final. Vítor Bueno também está afastado do time titular por problemas de contusão. E o calendário não dá trégua: pela frente, dois confrontos fora de casa, contra Santos e Grêmio, pelas nona e décima rodadas da Série A – duelos que exigirão um nível de competitividade muito superior ao que o time vem apresentando.
O cenário, portanto, é preocupante. O Remo está no ano mais importante de sua história recente, disputando a Série A, mas patina no planejamento, na execução e, principalmente, na entrega em campo. Não faltam investimentos, não falta apoio do torcedor… mas faltam respostas!
E no futebol, quando o desempenho não acompanha o discurso, a realidade costuma cobrar rápido. O tempo do Remo está passando. E a Série A não espera ninguém.
Foto em destaque: Remo 1 X Monte Roraima 1 no Baenão em 29.03.2026 (Rodolfo Marques)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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