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A classificação do Paysandu à quinta fase da Copa do Brasil, nesta terça (17) foi um enredo completo, daqueles que misturam drama, contestação e recompensa financeira. No Canindé, em São Paulo-SP, o time bicolor escreveu uma das páginas mais incríveis da competição ao vencer a Portuguesa por 3 a 2, em uma virada construída nos acréscimos – e com muitas reclamações dos jogadores da Lusa.


O roteiro foi improvável desde o início. A equipe paulista dominou o primeiro tempo e abriu 2 a 0, mas viu tudo ruir na etapa final. Com um jogador a mais após a expulsão de Eduardo Biazus, o Paysandu cresceu, pressionou e transformou a desvantagem em combustível para uma reação avassaladora. O empate veio já nos minutos finais, e a virada se consolidou aos 51, selando um triunfo descrito como épico e decidido em questão de minutos.


A noite, porém, também ficou marcada por forte contestação. A Portuguesa ironizou publicamente a arbitragem. O clube questionou a expulsão de Biazus e reclamou sobre o gol de empate, marcado por Ítalo, indicando toque de mão e criticando a ausência do VAR.


No lado paraense, muita festa, com a já comum expressão “faz o pix”: O avanço garantiu ao Paysandu uma premiação de R$ 2 milhões e a vaga na quinta fase, etapa que passa a contar com clubes da Série A e confrontos em ida e volta. Trata-se, pois, de um impulso financeiro e institucional que reposiciona o clube na temporada.


A virada também carrega a assinatura de um projeto que aposta na base e na ousadia. Sob o comando do técnico Júnior Rocha, o Paysandu demonstrou coragem ao confiar em jovens formados no clube e manter uma postura ofensiva mesmo em desvantagem. Os gols traduzem essa postura: Pedro Henrique, cria da base, iniciou a reação e diminuiu o placar parcial aos 10 minutos do segundo tempo; Ítalo empatou aos 47 minutos, após escanteio cobrado por Marcinho, no lance que gerou muita reclamação por parte dos jogadores da Lusa. E, no último minuto, a consagração veio no chutaço de Castro, falha do goleiro Bruno e vitória garantida. A “marcha da virada” revela um time que não abdicou de jogar – e foi premiado por isso.


Há ainda um elemento que reforça o caráter histórico da noite: o apoio vindo das arquibancadas. Mesmo longe de Belém, cerca de 700 torcedores bicolores estiveram presentes, transformando o ambiente hostil em um espaço de resistência. Em jogos como esse, a arquibancada deixa de ser coadjuvante e passa a integrar o próprio enredo da virada, funcionando como extensão da identidade do clube.


No fim, o episódio sintetiza o futebol em sua forma mais crua: imprevisível, contestado e profundamente emocional. Entre a revolta da Portuguesa e a euforia do Paysandu, permanece uma reflexão inevitável: é justamente nesse limite instável que o futebol segue produzindo suas histórias mais memoráveis.
“Faz o pix, CBF…!”



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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