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Será o que chamam de cultura inútil? Um dia desses escrevi uma crônica sobre a gargalhada e sua diferença para o riso. Achei interessante especular sobre uma reação tão espontânea do nosso corpo e até mesmo saber que o riso pode ser falso, a gargalhada, não. Mas é que hoje dei de pensar sobre as cócegas. Quando era criança, havia um primo, mais velho que eu e meus irmãos, que nos torturava com cócegas. O incrível é que ao replicarmos tentando obter o mesmo resultado, ele nada sentia. Declarava não ter cócegas. Como assim? Ainda hoje creio ser uma brincadeira divertida, somente para quem faz. O resultado deixa-nos inquietos, gargalhando, curvando o corpo em espasmos e tentando fugir. Parece algo inofensivo, tolices. Mas não é bem assim. Segundo o Google, o riso, gargalhada e todos as outras reações advindas de cócegas, são reações a um perigo ou algo inesperado que faz com que nosso corpo responda assustado. E sentimos mais cócegas nas axilas, costelas, pescoço, na palma dos pés, certamente porque são locais possivelmente mais frágeis e que logo tentamos defender. Na maioria das pessoas, sofrer a ação do outro que faz cócegas é algo engraçado, como travessura. Mas pensem em estar distraídos, pensando em qualquer coisa, e alguém vem e toca em uma dessas regiões, sem pensar nem fazer cócegas. Nosso corpo responde, em reflexo. Se continuar o movimento, passa o susto, vêm as cócegas, agora identificadas como travessura. Meu primo não tinha cócegas. Bem, acho que tinha. O problema é que quando nós próprios tentamos fazer cócegas em nosso corpo e ele, avisado que tentaríamos toca-lo, o nosso cerebelo e o dele, já havia decodificado o movimento. Pronto, não há mais surpresa. Inesperado. Experimente. Há dois tipos de cócegas, knismesis e gargalesis, sendo que a primeira é representada por toques bem leves, como se alguém passasse sobre seu corpo uma pena, por exemplo, lentamente. Creia, é possível gritar. A outra já diz respeito à pressão de dedos mais fortes naqueles pontos já citados. Será cultura inútil? Acho interessante porque são perguntas que nos fazemos a respeito de reações dos nossos corpos, que muitas vezes, nas quais, nunca pensamos. Em um programa de tv, uma vez, assisti a um pesquisador afirmar que o bocejo era algo do início da raça humana, no que diz respeito à vontade que todos sentimos de bocejar, logo após alguém próximo também bocejar. Taí algo interessante de pesquisar.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Edyr Augusto Proença
Paraense, escritor, começou a escrever aos 16 anos. Escreveu livros de poesia, teatro, crônicas, contos e romances, estes últimos, lançados nacionalmente pela Editora Boitempo e na França, pela Editions Asphalte. Foto: Ronaldo Rosa

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