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A participação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno chega à décima edição com um objetivo que, pela primeira vez, é tratado internamente como factível: transformar presenças simbólicas em resultados esportivos de alto nível. A delegação, que participa da competição a partir do dia 10 de fevereiro na Itália, reúne atletas formados fora do país, competidores de dupla nacionalidade e brasileiros que adaptaram treinos em ambientes improváveis para esportes de neve e gelo. Entre 6 e 15 de março, será a vez dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026.

Os Jogos começam oficialmente em 6 de fevereiro e seguem até 22 de fevereiro. Algumas modalidades iniciaram antes da abertura oficial para acomodar o calendário ampliado.

O Time Brasil estará em cinco modalidades: esqui alpino, bobsled, skeleton, snowboard e esqui cross-country. A distribuição é a seguinte: quatro atletas no esqui alpino, quatro no bobsled com um reserva, uma atleta no skeleton, dois no snowboard e três no esqui cross-country.

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O melhor resultado brasileiro em Jogos de Inverno continua sendo o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. A marca, por anos tratada como teto histórico, hoje é parâmetro a ser superado.

A atleta do skeleton Nicole Silveira retorna após o 13º lugar em Beijing 2022 com um currículo ampliado que traz três medalhas em etapas de Copa do Mundo e um quarto lugar em Mundial. Ao lado dela, surge como principal aposta o esquiador alpino Lucas Pinheiro Braathen.

Nicole Silveira é uma das maiores apostas de medalha olímpica para o Brasil

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas competiu pela Noruega até 2023. A partir do ano seguinte, passou a defender o Brasil. Desde então, acumulou 10 medalhas em Copas do Mundo com a bandeira brasileira, incluindo um ouro em Levi, na Finlândia. No slalom e no slalom gigante, ele integra o grupo que disputa pódio no circuito internacional.

O snowboard halfpipe também apresenta perspectiva inédita com Pat Burgener, atleta de origem suíça e brasileira, que já possui medalha de Copa do Mundo e agora compete pelo Brasil.

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve, Anders Pettersson, avaliou as possibilidades da delegação: “Queremos fazer várias finais que nunca tivemos antes. Esperamos que o Pat avance para as finais, mesmo o halfpipe sendo uma prova dura. Com o Lucas, tudo pode acontecer, porque é uma margem de erro muito pequena”.

No bobsled, o país chega em Milano-Cortina após alcançar um top 20 inédito no 4-man em Beijing 2022. A equipe é liderada por Edson Bindilatti, que participa de sua sexta Olimpíada.

“Foi uma carreira, muito bonita, de muita dedicação, muito empenho e resiliência. A gente passou por muitas coisas no bobsled e fiz parte de uma reconstrução, ou melhor, de uma construção”, afirmou Bindilatti.

No esqui cross-country, Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura buscam evolução técnica. Pettersson avaliou que a modalidade é amplamente dominada por países tradicionais, como Noruega e Suécia, e observou que até nações como França, Itália, EUA e Suíça encontram dificuldades para superar os escandinavos. Segundo ele, Manex está concentrado na prova de sprint, na qual os 30 melhores avançam à final, e há expectativa de que o atleta supere o recorde brasileiro na modalidade.

O dirigente também avaliou que o momento da delegação gera expectativa e pressão, mas contribui para elevar o grau de profissionalismo. Ele afirmou enxergar aspectos positivos no cenário atual, destacando o interesse da mídia e de atletas de outros países pelo Brasil, o que, em sua visão, beneficia tanto os competidores quanto o desenvolvimento do esporte de inverno no país.

Milano-Cortina representa para o Brasil um momento de estabelecimento. Diante de atletas com resultados expressivos em Copas do Mundo, equipes estruturadas e maior reconhecimento internacional, pela primeira vez, a possibilidade de finais e até medalha deixa de ser hipotética e passa a integrar o planejamento esportivo brasileiro nos Jogos de Inverno.

A edição 2026 é descrita pelos organizadores como a mais geograficamente distribuída da história olímpica de inverno. Milão sedia as competições de gelo e a cerimônia de abertura no estádio San Siro. Cortina concentra as provas alpinas e de esportes deslizantes. O snowboard e o freestyle acontecem em Livigno. O biatlo ocorre em Antholz. A novidade da edição é a estreia do ski mountaineering no programa olímpico.

A Itália retoma o protagonismo olímpico após Turim 2006 e resgata a memória de Cortina 1956, a primeira edição das olimpíadas de inverno transmitida internacionalmente.

A cerimônia de abertura terá como tema “Armonia” e contará com apresentações de Cecilia Bartoli, Lang Lang, Andrea Bocelli, Laura Pausini, Mariah Carey, além de atores italianos.

A competição reúne 16 disciplinas, incluindo esqui alpino, biatlo, bobsled, cross-country, curling, patinação artística, freestyle, hóquei no gelo, luge, combinado nórdico, short track, skeleton, salto com esqui, ski mountaineering, snowboard e patinação de velocidade.

Entre os favoritos globais, destacam-se Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Áustria, Suécia e Suíça, países cuja cultura esportiva está ligada ao inverno.

Atletas russos poderão competir apenas como “Atletas Individuais Neutros”. Isso significa ausência de bandeira, símbolos nacionais e hino em caso de vitória. Esportes coletivos, como o hóquei, ficam fora do alcance dessa autorização, o que exclui nomes da liga profissional. Para serem elegíveis, os competidores precisaram cumprir critérios rígidos do Comitê Olímpico Internacional, incluindo não terem manifestado apoio público à guerra na Ucrânia nem vínculos com estruturas militares ou de segurança.

Milano-Cortina não terá uma única Vila Olímpica. A organização distribuiu os atletas por seis bases: Milão, Cortina d’Ampezzo, Livigno, Bormio, Predazzo e Anterselva. O modelo combina construções novas, estruturas temporárias e hotéis existentes.

O maior complexo permanente está em Porta Romana, em Milão, e será convertido em moradia estudantil após os Jogos. Em Cortina, uma vila provisória com 377 casas móveis abrigará cerca de 1.400 pessoas; as unidades serão desmontadas ao término do evento. A maioria das delegações pretende usar as vilas, enquanto a Noruega optou por hotéis.

A reputação de intensa vida social nas vilas é relativizada pela própria logística: atletas espalhados por seis locais, rotinas de treino e descanso rigorosas, regras internas de equipes e foco na recuperação reduzem o papel do convívio informal. A organização mantém a distribuição de preservativos, prática recorrente, mas a rotina competitiva tende a prevalecer.

A edição italiana amplia o programa esportivo e altera dinâmicas tradicionais dos Jogos de Inverno. A estreia é o ski mountaineering, modalidade que combina subida em terreno alpino íngreme com “peles” presas aos esquis e descida em ritmo de prova. Popular há décadas na Europa, a disciplina passa a integrar o calendário olímpico pela primeira vez.

Além da novidade, esportes já conhecidos recebem provas adicionais que redistribuem as chances de medalha: moguls em dupla no esqui freestyle, duplas masculina e feminina no luge (em substituição à prova aberta), combinado alpino por equipes para homens e mulheres, salto em rampa grande feminino e revezamento misto no skeleton.

Para o público geral, seguem como vitrines tradicionais a descida no esqui alpino, a patinação artística, o halfpipe do snowboard e a patinação de velocidade. No fim do torneio, o hóquei no gelo tende a concentrar atenção à medida que as fases eliminatórias avançam.

A quadra principal de hóquei em Milão é ligeiramente menor que o padrão da NHL. A diferença pode favorecer partidas mais rápidas, com menos espaço e maior contato físico, sobretudo nas disputas por medalha.

Os preços dos ingressos variam amplamente. Provas iniciais podem custar menos de €30, enquanto finais de patinação artística e decisões do hóquei atingem valores de várias centenas de euros.

Autoridades dos Estados Unidos e da Itália confirmaram a atuação de um pequeno grupo do US Immigration and Customs Enforcement (ICE) com função de apoio à segurança, por meio da divisão Homeland Security Investigations (HSI). O trabalho será realizado em coordenação com o serviço diplomático estadunidense e autoridades italianas, focado em ameaças como crime transnacional. Não haverá ações de imigração ou policiamento nas ruas; as atividades ocorrerão em salas de operação, inclusive em um centro ligado ao consulado em Milão.

A confirmação gerou protestos e críticas políticas na Itália. Lideranças locais e partidos de oposição lançaram petições contra a medida. Integrantes do governo italiano afirmaram que o papel do grupo é consultivo e investigativo, sem caráter operacional.

Confira a agenda brasileira das competições:

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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