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Hoje a bancada do PL degringolou na Alepa. Os ânimos se exaltaram e o racha iminente por pouco não acabou em confronto físico. É que o deputado Rogério Barra, filho do deputado federal Éder Mauro, expoente da direita e autodeclarado bolsonarista, foi para a tribuna reclamar que um colega de partido teria virado a casaca. De início sem citar nomes, disse que um deputado eleito na esteira do bolsonarismo e do ideário da direita tinha praticado estelionato eleitoral; isto é, enganado seus eleitores ao mudar a postura.

De imediato os deputados Coronel Neil e Aveilton Souza se empertigaram em suas respectivas poltronas, antevendo confusão; afinal, as suas relações não são exatamente de afeto, nem de bons companheiros. Os coleguinhas na sala de imprensa trataram de apurar os ouvidos e ficar de olho nos acontecimentos. Barra prosseguiu o seu pronunciamento, foi subindo o tom à medida em que falava do motivo de sua irritação, e citou o nome do alvo e o pomo da discórdia, o deputado Aveilton, que recusou a subscrever seu requerimento para que seja concedido o título honorífico de Cidadã do Pará à ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro.

Sustentou que Aveiton surfou na onda do bolsonarismo e agora anda se bandeando para o governo federal e estadual. Aveiton levantou e marchou em direção ao orador. Rebuliço em plenário. Felizmente, ele parou em frente ao microfone destinado a apartes, e pediu a palavra, a fim de responder aos insultos, mas Rogério Barra, usando de suas prerrogativas, não permitiu que falasse. E, providencialmente, seu tempo regimental se esgotou, com o que ambos ficaram impedidos de se manifestar ao microfone. 

A vice-líder do Governo, deputada Maria do Carmo Martins Lima (PT), e a presidente da Comissão de Cultura, deputada Lívia Duarte (PSOL), saíram de seus lugares e acalmaram Aveilton e outros deputados o cercaram, pedindo que não reagisse com raiva. O Coronel Neil, que teve algumas refregas públicas com o orador inflamado, comentou que Barra é que tinha usufruído do governo, como secretário de Estado (de Justiça e Direitos Humanos), no primeiro mandato de Helder Barbalho, antes de se eleger ao parlamento estadual. Aveilton prometeu que na próxima terça-feira estará inscrito para falar na tribuna o que pensa de Barra. Todos já se preparam para mais um round.

Nascido em Rurópolis, Aveilton foi criado  na zona rural de Uruará, morou em Altamira e depois em Marabá. Tem 35 anos, é advogado e sua trajetória profissional começou como motoboy, passando pelos cargos de procurador-geral do município de Novo Repartimento e superintendente regional do Incra Sul e Sudeste do Pará. É seu primeiro mandato eletivo e define como principal bandeira o agronegócio, a agricultura familiar e áreas sociais como saúde, educação e infraestrutura, mas é tido como palatável pela esquerda, por sua postura humanista. Ninguém se admire se na primeira brecha eleitoral ele e o Coronel Neil desembarcarem do PL.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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