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Aos 39 anos, presidente da Associação Indígena Pariri, reconhecida internacionalmente como uma das principais lideranças indígenas da região do Tapajós, Alessandra Korap Munduruku será candidata a deputada federal do Pará pelo PT.

De estatura física pequena, ela é gigante em seu protagonismo. Pela forte militância em prol do meio ambiente, ganhou o Prêmio Goldman de 2023, considerado um “Nobel verde”. E brilha pela sua capacidade de liderar. Sua trajetória representa a força das mulheres na defesa da Amazônia.


Alessandra Korap nasceu no município de Itaituba (PA), território indígena Sawré Muybu do povo Munduruku, onde há décadas seu povo convive com as invasões de madeireiros e garimpeiros.

Ela enfrentou resistências por ser mulher, casada e mãe. O papel tradicional era fazer roça, cuidar dos filhos e do marido. Mulher não ia para as reuniões, era coisa de homem. Mas também nas aldeias há conquistas femininas e, por seu carisma, Alessandra naturalmente foi aceita pelos caciques, que a apoiam com firmeza. Foi assim que começou a cursar Direito em 2018 na Universidade Federal do Oeste do Pará, a Ufopa, sediada em Santarém.

Sofreu constrangimentos, ataques e ameaças de morte, teve sua casa invadida, mas não recuou. Adiou o sonho de ser advogada mas seu ativismo é tão poderoso que conseguiu barrar dezenas de multinacionais que queriam explorar minério em terras indígenas. A tal ponto que, em 2022, levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revelou que, pela primeira vez em décadas, nenhuma das 130 empresas filiadas tinha protocolado pedidos para explorar minérios em TIs.
Alessandra conta com o apoio maciço dos povos indígenas, ambientalistas e defensores dos direitos humanos.


Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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