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A memória de Belém pelo ralo


Definitivamente, a Prefeitura de Belém está trafegando na contramão da História. Esta semana implantaram esta placa vergonhosa que vocês podem observar aí na foto, em frente ao solar do Barão do Guajará, que desde 1944 abriga o Instituto Histórico e Geográfico do Pará, entidade que tem 117 anos de existência. Guarujá é aquele município de São Paulo que ficou famoso no âmbito da Operação Lava-Jato, por conta do tal apartamento tríplex, como frisam, com justa indignação, os advogados Célio Simões e Sebastião Piani Godinho e o professor doutor Genylton Odilon Rêgo da Rocha (este o autor da foto), todos acadêmicos do IHGP
A edificação, localizada na Rua do Aveiro (antiga Tomázia Perdigão), nº 62, no bairro da Cidade Velha, uma joia da arquitetura, erguida no início do século XIX em estilo neoclássico, é parte integrante do patrimônio histórico e arquitetônico de Belém, tombada em 1950 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ícone do apogeu econômico e social parauara, na belle époque, guarda tesouros culturais de valor incalculável.  

Domingos Antonio Raiol, o Barão do Guajará, um aristocrata e monarquista ferrenho, que viu o seu pai ser morto pelo cabanos em Vigia, quando era criança, e escreveu Motins Políticos, obra clássica sobre a Cabanagem, herdou o prédio ao se casar com a sobrinha do Visconde de Arari. O Barão morreu nessa casa em 1912, aos 82 anos de idade e deixou uma biblioteca com títulos que remontam ao ano 1.700, inclusive documentos, cartas, mapas, pinturas e armas. Em 1942, o então prefeito de Belém, Abelardo Leão Conduru, adquiriu o Solar de um de seus herdeiros e com ele os móveis e a biblioteca. Um legado que o IHGP preserva para as gerações futuras.

Barão do Guarujá é… deixem pra lá.

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