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Pleno 2026 e a discussão do momento no Brasil, provocada por um reality show, é sobre homens que urinam sentados. Não entendo o sentido. Como mulher, teria absoluto nojo de conviver com um homem que não urinasse sentado em casa e deixasse a posição em pé reservada aos mictórios públicos desenhados para isto. São inúmeros estudos que mostram que é impossível o espalhamento de gotículas de urina (mesmo que invisíveis) pelo ambiente quando um homem faz xixi em pé em um vaso sanitário. Essa contaminação não acontece “só” no tampo e no chão, ela pode chegar até a escova de dentes em cima da pia, por exemplo. Se a descarga for dada com o tampo aberto, a coisa exponencia. O vídeo abaixo é bem didático. 

Porém é 2026 e ainda existe uma masculinidade ridiculamente frágil e tóxica que prefere manter hábitos não saudáveis para o próprio sujeito e para a comunidade que o cerca do que “perder” uma suposta “virilidade”. Sim, além da higiene comum, a posição corporal adotada por homens ao urinar pode influenciar o funcionamento do trato urinário, especialmente em indivíduos com sintomas associados ao envelhecimento da próstata.

Um estudo científico publicado em 2024, analisou adultos saudáveis e homens com sintomas do trato urinário inferior e os resultados mostraram que, nos casos sintomáticos, a postura sentada favoreceu um esvaziamento mais eficiente da bexiga. O estudo indicou que o volume residual pós-miccional (um indicador importante na avaliação clínica) foi menor entre os participantes que urinaram sentados, o que sugere um padrão mais fisiológico para esse grupo.

Do ponto de vista médico, o hábito de urinar sentado tem impacto tanto em tratamentos conservadores quanto em recomendações rotineiras de urologistas, especialmente para pacientes que relatam jato fraco, esforço para urinar ou sensação de esvaziamento incompleto.

O estudo enfatiza que hábitos aparentemente simples podem ter implicações clínicas relevantes. A adoção da postura sentada, segundo os autores, pode servir como intervenção comportamental não invasiva, de baixo custo e sem efeitos adversos, alinhada à tendência de incorporar estratégias menos farmacológicas no manejo de sintomas urinários. O tema também dialoga com o envelhecimento populacional, já que, com o aumento da expectativa de vida e a prevalência de doenças urológicas entre homens, recomendações baseadas em evidências sobre comportamentos cotidianos têm sua relevância prática aumentada.

A mesma masculinidade tóxica que ignora evidências científicas sobre higiente pública e saúde individual é a que persiste nas violências de gênero de todas as espécies e não quer discuti-las. Precisamos avançar, aceitar e propagar a ciência e debater o que realmente precisa ser dialogado. E, acima de tudo, educar nossos meninos para que eles não sejam os mesmos e nem vivam como, infelizmente, muitos de seus pais.

Foto em destaque: QS Supplies

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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