Publicado em: 2 de abril de 2026
O Seen, no alto, não é apenas um restaurante, é uma espécie de mirante da alma. Cheguei como quem busca uma mesa, mas encontrei uma experiência inteira. Logo percebi: ali, a cidade não é só cenário, é personagem viva, pulsando diante dos olhos.
A Baía de Guajará se abria larga, quase íntima, como se quisesse contar seus segredos. Belém, inteira, se deixava ver, telhados, torres, memórias. Tudo cabia naquele horizonte que, por si só, já seria um banquete.
Mas havia mais.
As pessoas.
Porque um almoço também se faz de encontros. E naquele dia, eles vieram generosos. Jornalistas de escuta atenta, conversas que deslizavam leves, como quem já se conhecia de outras vidas. Rimos, trocamos impressões, dividimos não apenas a mesa, mas a experiência de estar ali, presentes.
E então, a cozinha.
Conheci Frederico Miranda, o Fred. Daqueles chefs que não apenas cozinham, pensam, estudam, sentem. Há um rigor silencioso no que faz, mas também uma entrega que se revela no prato. Sua comida não é exibida, é vivida. Cada elemento parece saber exatamente o seu lugar, como numa partitura bem ensaiada.
E que espetáculo.
Sabores que não gritam, mas permanecem. Texturas que surpreendem sem pedir licença. Há técnica, sim, mas, sobretudo, há respeito. Ingredientes tratados como histórias, não como produtos.
Comer ali foi mais do que provar. Foi perceber.
Perceber que a gastronomia, quando bem feita, é uma forma de narrativa. Que um prato pode dizer de um território, de um tempo, de uma intenção. Que há cozinhas que nos alimentam, e outras que nos despertam.
Saí do Seen diferente de como entrei.
Talvez pela vista. Talvez pelas conversas. Talvez pela delicadeza de cada detalhe que, somado, construiu algo raro: um almoço que não termina quando acaba.
Fica.
Como ficam as boas histórias
Fotos com o chef Frederico Miranda e com a hostess Dani Filgueiras








Comentários