Publicado em: 8 de março de 2026
A literatura paraense despediu-se, com silenciosa reverência, de uma de suas vozes mais luminosas: Heliana Barriga, artesã da imaginação e guardiã do universo encantado da infância.
Natural de Castanhal, Heliana dedicou mais de quatro décadas à criação literária voltada às crianças e aos jovens, construindo uma obra vasta e sensível, com mais de sessenta livros publicados. Suas histórias, permeadas pela ludicidade, pela musicalidade das palavras e pela presença viva da Amazônia, transformaram-se em pontes delicadas entre o sonho e a descoberta do mundo.
Em seus livros — como A Abelha Abelhuda, A Anta Antônia e tantas outras narrativas — a autora ensinava que a leitura pode ser também brincadeira, canto e aventura. Cada página parecia convidar a criança a olhar a natureza com curiosidade, a reconhecer a riqueza da cultura amazônica e a perceber que a imaginação é um território sem fronteiras.
Heliana Barriga não escreveu apenas histórias: formou leitores, despertou sensibilidades e plantou sementes de encantamento em gerações inteiras. Era, ao mesmo tempo, escritora, contadora de histórias, musicista e educadora da sensibilidade — uma verdadeira “ecopoeta do cotidiano”, capaz de traduzir em palavras simples a grandeza da vida.
Sua partida deixou um silêncio inevitável, mas também um legado luminoso. Porque autores que escrevem para a infância não desaparecem: permanecem vivos nas bibliotecas das escolas, nas estantes das casas e, sobretudo, na memória afetiva das crianças que aprenderam a sonhar através de suas histórias.
Heliana partiu, mas suas palavras continuam — leves como asas de imaginação — a voar pelo tempo.









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