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NINGUÉM É PROPRIETÁRIO EXCLUSIVO E DEFINITIVO DA VERDADE. Ao longo do tempo, os títulos variam de acordo com o período histórico. Hoje em dia, por exemplo, o título de rabino é uma distinção formal concedida a líderes religiosos que passaram por uma formação bastante completa.
Sabemos que Jesus nasceu e viveu dentro do contexto da cultura judaica, sendo considerado rabino, pois ensinava sobre a Lei, as tradições judaicas, o amor ao próximo e o que ele denominava de Reino de Deus. Ele destacava a importância de conciliar fé e ações na rotina diária. Além disso, a comunidade e seus discípulos reconheciam nele essa função, e chamá-lo de rabino era uma forma de demonstrar respeito e admiração pelo seu conhecimento e pela liderança que conquistava de maneira crescente e revolucionária para seu tempo.
Conforme a literatura bíblica, ante interpretação sistêmica, Jesus foi acusado e condenado pelos seguintes motivos: por desafiar a autoridade dos líderes  religiosos e a interpretação tradicional da Lei vigente; por seus ensinamentos serem considerados subversivos pelos líderes políticos e religiosos da época; e, por blasfêmia, ao declarar-se filho de Deus.


De maneira ilustrativa, em um episódio que era inusual para aquele tempo, Jesus foi abordado por escribas e fariseus que trouxeram uma mulher supostamente pega em adultério. Eles queriam saber se Jesus a condenaria, como determinava a Lei de Moisés. Jesus respondeu com um dilúvio de sabedoria, revelando que “Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”.
Pelo que se sabe, todos desnudos, ninguém mais lançou pedras sobre a mulher.
Como é evidente, Jesus foi preso, julgado e condenado ao martírio por suas convicções e atitudes. Foi preso pelos guardas do Templo, julgado inicialmente pelo conselho de líderes religioso (Sinédrio) e sentenciado posteriormente à morte por crucificação pelo governador romano da Judeia, Pôncio Pilatos, que cedeu  à  pressão dos líderes judeus, apesar de pessoalmente não vislumbrar culpa no acusado.


Adicionalmente, podemos semear a dúvida: e se Pilatos não cedesse e absolvesse Jesus? Deixo ao leitor essa questão para refletir.
Podemos perceber que a prisão, o julgamento e a condenação de Jesus à morte na cruz foram decisões postas em marcha por razões políticas e tiveram um impacto bastante significativo na construção da cultura ocidental. Ultrapassado esse tríplice umbral, talvez o maior efeito ao longo dos anos seguintes à crucificação tenha sido a mudança na cultura romana, que buscou deixar de praticar o politeísmo e institucionalizou o monoteísmo por várias razões. 


Faltam cerca de dois meses e alguns dias para a próxima Sexta-feira Santa, que rememora o martírio de Jesus, de acordo com o calendário cristão. Depois de sua condenação e execução na cruz, o rabino judeu passou a ser conhecido como Jesus Cristo.
Staël Sena Lima é advogado, pós-graduado em Direito (UFPA) e presidente da Comissão Estadual de Defesa da Liberdade de Imprensa da OAB-PA.


Referências
CYMERMAN, Henrique. O Enigma de Israel: Uma História do Estado Judaico. Lisboa, Portugal: Editora Dom Quixote, 2025.
DUQUESNE, Jacques. Jesus: A verdadeira história. São Paulo: Geração Editorial,2019.
SARAMAGO, José. O Evangelho segundo Jesus Cristo. 2ªed.- São Paulo: Companhia das Letras,2020.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Staël Sena
Stael Sena é advogado pós-graduado em Direito (UFPA) e presidente da Comissão Estadual de Defesa da Liberdade de Imprensa da OAB-PA.

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