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Embora muitos já tenham feito eco à consagração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, é essencial que essa lembrança continue sendo feita.


A violência física e psicológica infligida pelos nazistas nos campos de concentração da Europa às mentes e corpos dos sobreviventes – crianças, adolescentes, mulheres e homens judeus – foi revelada ao mundo pela primeira vez com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Alimentado pelo ódio e pela intolerância do Terceiro Reich contra judeus e outras minorias, o Holocausto constitui uma das páginas mais sombrias da história humana, por ter exterminado em escala industrial e coletivamente milhões de vidas. Um fato que jamais deveria ter ocorrido e que nunca pode ser permitido que se repita em qualquer território ou contexto político do globo.


Neste ano de 2026, completam-se 81 anos da Carta das Nações Unidas. Assinada em São Francisco (EUA) em 26 de junho de 1945, a Carta da ONU entrou em vigor em 24 de outubro do mesmo ano. Ela surgiu quando a cessação da Segunda Guerra Mundial era iminente, num momento em que a necessidade e o desejo de paz, tolerância e diálogo uniram um grande número de  nações e povos.


Reuniu, naquele contexto histórico, países liberais e a então União Soviética – esta última pagou um preço terrível no conflito, com cerca de 25 milhões de cidadãos mortos. Somam-se a essas vítimas, meio milhão de britânicos, meio milhão de norte-americanos e mais de 6 milhões de judeus assassinados nos campos de concentração, o que representava cerca de mais de um terço da população judaica europeia da época, além de inúmeros membros de outras minorias perseguidas pelo regime nazista.


A importância histórica e política da Carta de 1945 é demasiado vasta para ser integralmente abordada neste artigo. Hoje, é fundamental voltar nossa atenção para o que ocorre no mundo neste início do século XXI, especialmente em 2026. É preciso reafirmar que guerras e seus flagelos, que tanto têm afetado a humanidade ao longo do tempo, podem e devem ser evitadas.


Foi com esse espírito de memória e alerta que, em 1º de novembro de 2005, durante sua 42ª sessão plenária, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 60/7. Estabeleceu-se, então, que o dia 27 de janeiro figuraria no calendário anual como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.


Registro que no calendário gregoriano, janeiro deriva do latim Ianuarius, por sua vez originado do nome do deus romano Janus (Ianus). Janus era o deus dos portões, começos e finais, e era representado com duas faces: uma voltada para o futuro (frente) e outra para o passado (trás). Uma simbologia poderosa para um mês que abriga uma data dedicada a lembrar a tragédia do passado, com o firme propósito de construir um futuro diferente.


Ao finalizar estas linhas, o faço com a expressão do historiador, pesquisador e professor de História do Mundo na Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Noah Harari, que nos lembra que “…o grande objetivo da História é chamar-nos a atenção para as possibilidades que normalmente ignoramos. Os historiadores estudam o passado não para o repetir, mas para se libertarem dele.”


Referências
HARARI, Yuval Noah. Homo Deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
HESSE, Mônica. Separados pelo Holocausto. São Paulo: Universo Livros, 2022.
KONIG, Nanette Blitz. Eu sobrevivi ao Holocausto. São Paulo: Universo dos Livros, 2015.
MACADAM, Heather Dune. As 999 mulheres de Auschwitz. São Paulo: Universo dos Livros, 2020.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 41ª ed. Barueri, SP: Atlas, 2025.
REES, Laurence. O Holocausto: uma nova história. 1ª ed. São Paulo: Vestígio, 2018.
HILBERG, Raul. A destruição dos judeus europeus. Barueri, SP: Amarilys, 2016.

Staël Sena
Stael Sena é advogado pós-graduado em Direito (UFPA) e presidente da Comissão Estadual de Defesa da Liberdade de Imprensa da OAB-PA.

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