Publicado em: 17 de janeiro de 2026
No dia 12 de janeiro, professores, estudantes, egressos e servidores técnico-administrativos celebraram uma conquista histórica para a Universidade Federal do Pará (UFPA). O Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia (PPHIST) alcançou nota 6 na Avaliação Quadrienal da CAPES (2021–2024), tornando-se a primeira pós-graduação em História do Norte do Brasil a alcançar tão elevado conceito. O resultado consagra uma trajetória acadêmica construída ao longo de duas décadas e reafirma o programa como referência nacional e internacional na produção de conhecimento histórico sobre a Amazônia.
A história do PPHIST/UFPA está profundamente vinculada ao processo de expansão e interiorização da pós-graduação no Brasil, especialmente a partir dos anos 2000, quando se intensificaram os esforços para descentralizar a produção científica e reconhecer regiões historicamente marginalizadas nos grandes debates acadêmicos. Até o final do século XX, a Amazônia ocupava posição periférica na historiografia brasileira, muitas vezes tratada como apêndice da história nacional. Foi nesse contexto que, em 2004, a UFPA implantou o Curso de Mestrado em História, dando origem ao PPHIST.
Desde sua criação, o programa definiu com clareza seu eixo estruturante: produzir conhecimento histórico qualificado sobre a Amazônia, articulando dimensões sociais, culturais, étnicas, ambientais e políticas, do período colonial ao tempo presente. A definição da área de concentração em “História Social da Amazônia” foi decisiva para a consolidação dessa identidade acadêmica, permitindo ao programa inserir a região amazônica no centro da História do Brasil e ampliar o olhar para suas conexões regionais, nacionais e internacionais, incluindo a perspectiva da Pan-Amazônia como espaço histórico transnacional, uma perspectiva priorizada neste quadriênio.
O amadurecimento do curso de mestrado, aliado ao crescimento da produção científica e à formação de pesquisadores qualificados, possibilitou um novo salto institucional com a criação do Curso de Doutorado em História, em 2011. A implantação do doutorado representou um marco decisivo na trajetória do PPHIST, ampliando sua capacidade formativa e fortalecendo sua inserção no cenário acadêmico nacional e internacional. Desde então, o programa atua plenamente na formação stricto sensu, reafirmando seu compromisso com a excelência acadêmica.
Ao longo de sua trajetória, o PPHIST estruturou e consolidou linhas de pesquisa articuladas à área de concentração, garantindo a integração entre ensino e pesquisa, sendo que no quadriênio se estimulou as atividades extensionista. Essas linhas possibilitaram a nucleação de grupos de pesquisa, o desenvolvimento de projetos coletivos e o crescimento expressivo da produção de dissertações, teses, livros, capítulos e artigos científicos, majoritariamente voltados para temáticas amazônicas em múltiplas temporalidades.
Elemento central dessa trajetória é a constituição de um corpo docente altamente qualificado e plural, formado por pesquisadores com sólida formação acadêmica em instituições nacionais e estrangeiras. Integram o programa os docentes Agenor Sarraf Pacheco, Aldrin Moura de Figueiredo, Antonio Decio de Alencar Guzman, Antonio Maurício Dias da Costa, Antonio Otaviano Vieira Júnior, Cristina Donza Cancela, Daniel Souza Barroso, Edilza Joana Oliveira Fontes, Fernando Arthur de Freitas Neves, Franciane Gama Lacerda, Francivaldo Alves Nunes, Ipojucan Dias Campos, José Alves de Souza Junior, José Maia Bezerra Neto, Karl Heinz Arenz, Leila Mourão Miranda, Magda Maria de Oliveira Ricci, Márcio Couto Henrique, Maria de Nazaré Sarges, Mauro Cezar Coelho, Nelson Rodrigues Sanjad, Pere Petit Peñarrocha, Rafael Chambouleyron, Sidiana da Consolação Ferreira de Macêdo, Simeia de Nazaré Lopes, Wania Alexandrino Viana e William Gaia Farias. A diversidade desse quadro assegura equilíbrio entre experiência e renovação intelectual, favorecendo a pluralidade teórica e metodológica. Ressalte-se os trabalhos técnicos desenvolvidos por Fernanda Reis, Lurdinha Rodrigues e bolsistas comprometidos e dedicados.
Ao completar 20 anos de existência, em 2024, o PPHIST apresentou uma trajetória marcada por coerência acadêmica, produção sistemática de conhecimento e compromisso com a formação de pesquisadores e professores para a região amazônica. Essa trajetória se reflete diretamente no perfil e na atuação de seus egressos. Mestres e doutores formados pelo programa apresentam sólida formação teórico-metodológica e forte compromisso com a pesquisa histórica sobre a Amazônia, articulando escalas locais, regionais, nacionais e transnacionais.
No campo profissional, os egressos apresentam expressiva inserção no ensino superior, atuando em universidades federais e estaduais, institutos federais e centros universitários, além de participação significativa na educação básica, em redes públicas estaduais e municipais. Muitos exercem funções de coordenação pedagógica, formação de professores e produção de materiais didáticos, contribuindo para a qualificação do ensino de História e para a inserção de temáticas amazônicas nos currículos escolares.
Os egressos também atuam em arquivos, museus, centros de documentação, fundações culturais e institutos históricos, além de órgãos da administração pública nas áreas de cultura, educação, planejamento e políticas públicas. Outro aspecto relevante é a continuidade da trajetória acadêmica, com parcela significativa dos mestres ingressando em cursos de doutorado no próprio PPHIST ou em programas consolidados no Brasil e no exterior.
A consolidação do programa também se expressa nos investimentos em infraestrutura, realizados nos últimos anos. Destacam-se a requalificação do Laboratório de História (LABHIS), com modernização das instalações e melhoria dos espaços acadêmicos, e a expansão do Laboratório Digital (LABDIGITAL), voltado à digitalização de acervos, produção audiovisual e divulgação científica. A atualização de equipamentos de informática, o fortalecimento da gestão administrativa e a qualificação dos espaços de apoio ao discente impactaram diretamente a qualidade da formação e da produção intelectual.
Esses avanços são resultado de um planejamento estratégico consistente, alinhado ao Plano de Desenvolvimento Institucional da UFPA e às diretrizes da CAPES, que orientam ações voltadas à qualificação da produção científica, melhoria da formação discente, internacionalização, inserção social e autoavaliação contínua. O planejamento tem permitido identificar fragilidades, redefinir metas e fortalecer a sustentabilidade acadêmica do programa.
No campo da inclusão, o PPHIST consolidou e ampliou as políticas de ações afirmativas e assistência estudantil, com reserva de vagas para grupos historicamente sub-representados como negros, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativista e população trans. No caso, se efetivou uma permanente articulação com bolsas e auxílios institucionais, contribuindo para a democratização do acesso e a permanência discente.
A atuação da coordenação do programa no quadriênio, em que tive a possibilidade de exercer, penso que foi decisiva nesse processo, garantindo gestão acadêmica qualificada, inclusiva e com respeito as diferenças. O exercício de um acompanhamento sistemático dos discente, o estímulo à produção intelectual, a correta interlocução institucional, o fortalecimento da internacionalização e da divulgação científica forma práticas cotidianas da gestão.
Assim, a história do PPHIST e a conquista de excelência na formação de mestre e doutores, expressa nesta última avaliação, se confunde-se com a própria afirmação da Amazônia como campo legítimo e estratégico da investigação histórica. O programa consolidou-se como um projeto acadêmico comprometido com a produção de conhecimento socialmente referenciado, com a valorização da diversidade amazônica e com a construção de uma historiografia capaz de dialogar com os grandes desafios contemporâneos do Brasil e do mundo.




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