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Está acontecendo um movimento de boicote à Copa do Mundo de 2026, organizada por Estados Unidos, Canadá e México, que se reflete em um aumento de pedidos de reembolso de bilhetes, sobretudo para jogos previstos em território estadunidense. Segundo informações publicadas pelo jornal espanhol Marca, fontes próximas ao comitê organizador estimam que mais de 120 mil solicitações de devolução foram apresentadas na fase inicial de realocação e cancelamento, entre o fim de 2024 e o começo de 2025.

Embora a FIFA não detalhe a origem desses pedidos, análises do mercado esportivo citadas pela imprensa apontam que alemães, espanhóis, brasileiros, argentinos e franceses figuram entre os grupos que mais têm desistido da viagem. Há expectativa de que o número aumente conforme se consolidam exigências consulares, confirmação de hospedagem e custos de deslocamento interno.

Reportagens de veículos europeus e latino-americanos descrevem um cenário heterogêneo entre os torcedores que solicitam reembolso: alguns alegam dificuldades com vistos, outros enfrentam prazos apertados e taxas administrativas. Agências especializadas em turismo esportivo relatam cancelamentos e ajustes de pacotes, com parte dos clientes redirecionando viagens para Canadá e México, considerados destinos mais acessíveis e com procedimentos consulares menos exigentes. A reconfiguração desses roteiros tem sido mais evidente na fase de grupos, quando há maior oferta de partidas em solo canadense e mexicano. Já em países com menor renda disponível, os torcedores abandonam o plano de acompanhar o torneio presencialmente devido à soma dos gastos com visto, seguro, passagens aéreas e estadia.

A campanha de boicote começou em 2024, quando expressões como “boicote à Copa de 2026” passaram a circular com maior intensidade nas redes. Debates sobre políticas dos Estados Unidos e críticas relacionadas a temas de direitos humanos impulsionaram hashtags como #BoycottWorldCup2026, #NoWorldCupInUSA e #Boicote2026, que se multiplicaram nas plataformas X, Instagram e TikTok.

Monitoramentos citados por veículos como ESPN e BBC Sport mostram que jovens torcedores lideram campanhas digitais, promovendo abaixo-assinados e textos dirigidos à FIFA e a patrocinadores. Entre os fatores mais recorrentes nessas mobilizações estão as políticas migratórias e exigências de visto consideradas rígidas, os debates ligados a direitos humanos (sobretudo no tratamento a imigrantes e minorias), preocupações com segurança e violência armada durante grandes eventos, preços de hospedagem e passagens elevados, e a logística complexa devido às distâncias entre as cidades-sede e à necessidade de múltiplos voos.

A FIFA, liderada por Gianni Infantino (notoriamente muito próximo de Donald Trump), tem reagido com reserva às notícias sobre devoluções e mantém o discurso de que a procura pelo torneio segue alta para um megaevento desse porte. A entidade não confirma os números divulgados pela imprensa. Tanto o comitê organizador quanto autoridades locais têm destacado medidas de segurança adicionais, negociações com companhias aéreas e ajustes em protocolos de fronteira.

Cidades-sede anunciaram investimentos em transporte, montagem de fan zones e reforço de policiamento enquanto a FIFA tenta equilibrar a narrativa com campanhas que ressaltam diversidade, inclusão e legado.

Vinte e três deputados britânicos de vários partidos assinaram uma moção dirigida à FIFA pedindo que os EUA fosse afastado da participação e até da organização da Copa do Mundo de 2026. Eles sustentam que competições internacionais não deveriam legitimar governos acusados de desrespeitar o direito internacional e a soberania de outras nações, citando ações recentes da administração de Donald Trump, como a invasão da Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro, como motivo para exigir uma “compliance clara com o direito internacional” antes que os EUA continuem no torneio.

Parece impossível que Gianni Infantino, que em dezembro de 2025 foi denunciado ao Comitê de Ética da FIFA pela ONG FaithSquare por quatro supostas violações, todas elas relacionadas com o apoio público a Trump (dentre elas a campanha para que o Prêmio Nobel da Paz fosse dado ao presidente estadunidense e, depois do mesmo ter sido agraciado à Maria Corina Machado, a criação do Prêmio da Paz da FIFA, atribuído a Trump, um líder político em exercício), vá acatar qualquer tipo de sanção aos EUA. A questão que fica é se o público “MAGA” vai lotar os estádios boicotados pelo resto do mundo.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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