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O Governo Federal publicou o novo edital do Bolsa Atleta para o ciclo de 2026, política pública estruturante para o desenvolvimento esportivo no país. A abertura das inscrições está marcada para o período de 19 de janeiro a 6 de fevereiro, exclusivamente pela plataforma gov.br. O programa, criado para garantir condições mínimas de treino e competição a atletas de diferentes modalidades e níveis, volta a priorizar a permanência no alto rendimento e a continuidade de carreira, com destaque para diretrizes específicas voltadas às mulheres atletas em gestação ou puerpério.

O edital regulamenta critérios, categorias e prazos, abrangendo atletas olímpicos, paralímpicos, surdolímpicos, internacionais, nacionais, de base e estudantis. Para concorrer, serão considerados resultados esportivos obtidos ao longo de 2025, desde que reconhecidos pelo Ministério do Esporte. Também foram estabelecidas etapas detalhadas para seleção, análise documental, priorização conforme disponibilidade orçamentária, assinatura do termo de adesão e pagamento mensal por até doze meses.

Ao comentar a abertura do edital, o ministro do Esporte, André Fufuca, afirmou que o programa representa estabilidade para o esporte nacional. Segundo ele, “o Bolsa Atleta é uma das políticas públicas mais importantes para o fortalecimento do esporte brasileiro. Com a publicação deste edital, damos início a um novo ciclo que garante previsibilidade, apoio financeiro e condições para que nossos atletas sigam treinando, competindo e representando o Brasil em alto nível. Nosso compromisso é assegurar que esse investimento chegue a quem está na ativa e dedicado ao esporte, valorizando o mérito e a trajetória de cada atleta”.

A secretária Nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques, sublinhou a importância do programa para o desenvolvimento de carreiras esportivas, sobretudo em um país com desigualdades estruturais no acesso ao esporte. Para ela, o processo será conduzido com rigor técnico: “temos a responsabilidade de conduzir esse processo com critérios de transparência, integridade e respeito aos atletas, garantindo que o recurso público chegue a quem realmente está em atividade e representando o país. Como atleta, sei o quanto esse apoio é decisivo para assegurar treino, competição e permanência no esporte”.

O novo ciclo mantém dispositivos inéditos introduzidos nos últimos anos para garantir proteção social às atletas gestantes, puérperas e adotantes. O edital permite a renovação da bolsa mesmo com interrupção temporária da participação em competições, além de autorizar o uso de resultados anteriores à gestação para fins de comprovação esportiva. Há ainda previsão de extensão de até seis parcelas, desde que respeitado o teto anual do programa, sem necessidade de comprovação de plena atividade esportiva durante o período.

A medida responde a um problema histórico enfrentado por atletas mulheres, que frequentemente viam a maternidade representar um obstáculo ao desempenho esportivo e à continuidade na carreira. No alto rendimento, onde as janelas de oportunidade são curtas e dependem de competições qualificatórias, essa política representa avanço importante para garantir permanência e longevidade esportiva.

O Bolsa Atleta tem sido utilizado por universidades públicas como porta de ingresso, o que tem ampliado o horizonte educacional e profissional de jovens atletas. Em 2025, o programa registrou números recordes: 9.207 atletas assinaram o termo de adesão, crescimento de 27,2% em relação a 2022 e de 5,36% em comparação com 2024. Somando o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, o total chegou a 9.673 beneficiários, com investimento que passou de R$ 160 milhões para R$ 176 milhões.

A evolução dos números indica que o programa tem conseguido apoiar desde atletas iniciantes até competidores que representam o país em eventos internacionais como Jogos Olímpicos, Paralímpicos, Surdolímpicos e competições continentais. Ao mesmo tempo, estudos acadêmicos e balanços técnicos divulgados pelo próprio Ministério do Esporte apontam que a existência de financiamento público contínuo aumenta as chances de permanência de atletas no alto rendimento, reduz stress financeiro familiar e diminui o risco de abandono precoce.

O edital define as seguintes datas:

Inscrições online: 19 de janeiro a 6 de fevereiro

Publicação da primeira lista: 23 a 27 de março

Prazo para recursos: até 10 dias após a publicação

Lista final com recursos deferidos: 20 a 24 de abril

Após o processo seletivo, o pagamento das bolsas segue regime mensal, condicionado à assinatura do termo de adesão e comprovação documental.

Criado para reduzir as desigualdades no acesso ao esporte de alto rendimento, o Bolsa Atleta se tornou instrumento permanente no sistema esportivo brasileiro. Passados mais de vinte anos de seu lançamento, o programa ajudou a sustentar carreiras que resultaram em medalhas olímpicas, mundiais e continentais, e contribuiu para que o Brasil mantivesse presença competitiva em eventos internacionais de grande porte.

O investimento no esporte deve ser entendido como política estratégica, com impactos sociais, educacionais e econômicos. A continuidade do programa oferece previsibilidade a atletas e federações, permitindo planejamento técnico e reforçando o papel do Estado em um setor historicamente marcado por instabilidade financeira.

Foto em destaque: Helano Stuckert/rededoesporte.gov.br

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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