Publicado em: 12 de janeiro de 2026
Hoje Belém “celebra” 410 anos. Celebra porque fomos obrigados a acreditar que existimos a partir da nossa invasão. Celebra porque fomos obrigados a adotar a versão portuguesa de um nome hebraico para designar o nosso lar, apagando de nossas memórias o nosso verdadeiro nome, tupinambá (hoje há uma luta historiográfica sobre o nome Mairi que não tenho capacidade para adentrar, apenas lamentar a nossa não-certeza). Celebra porque o Tuxaua Guaimiaba morreu lutando. Celebra porque vivemos em luta. Celebra porque fomos vencidos. Celebra porque cravaram lindos azulejos em nossas matas. Celebra porque mataram nossos igarapés sagrados para construir santuários de mármore. Celebra porque, ainda hoje, recebemos quem é de fora com braços abertos mas fechamos os portões com detectores de metal para nós mesmos. Celebra porque ainda roubam as nossas riquezas e nosso povo morre na pobreza. Celebra porque ainda somos um lugar distante dentro do país ao qual supostamente pertencemos. Celebra porque somos “o outro” quando sempre fomos aqui e daqui.
Que os 12 de janeiros sejam sempre para que não esqueçamos de que não somos quem nos fizeram acreditar ser. Este não é o nosso nome, esta não é a nossa língua e somos muito maiores do que nossas prisões coloniais. As de outrora, as de hoje e sempre. Que chegue o dia em que a festa seja comemorar o resgate de nós mesmos.

Imagem: Éder Oliveira, Estudo para retrato de Cacique Guaimiaba (Cabelo de Velha), 2019 Grafite e óleo sobre tela, 200 x 300 cm (via Museu de Arte de Belém).









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