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A Poesia de Alberto Caeiro é uma exaltação à Simplicidade e à Natureza!

A partir deste início de semana, dedicamos nossas segundas-feiras à poesia. Hoje falaremos sobre Alberto Caeiro, um dos mais notáveis heterônimos de Fernando Pessoa. O que é um heterônimo?  é como se fosse um “outro escritor” inventado por um autor. Não é só um pseudônimo (um nome falso). É como se Fernando Pessoa tivesse vários poetas dentro dele, cada um escrevendo de um modo.

Caeiro é o heterônimo dedicado à exaltação da natureza, à simplicidade  e à experiência sensorial direta com o mundo, homenageando a vida simples.

Obra de Caeiro: a obra de Alberto Caeiro foi escrita entre 1914 e 1915, apresentando uma percepção ingênua e objetiva do mundo. Caeiro é descrito como um pastor poeta, com pouca instrução formal, mas uma profunda conexão com a realidade tangível. A seguir, exploraremos os temas e características principais dos poemas de Caeiro, com foco em coleções como O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos.

Temas Principais da poesia de Caeeiro

Natureza e Sensorialidade: Caeiro celebra a beleza das coisas simples, como rios, flores e o céu, captados pelos sentidos. Ele rejeita significados profundos ou simbólicos, preferindo a realidade concreta à idealização. Um exemplo é “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia” (Poema VIII).

Antimetafísica: Caeiro critica o pensamento abstrato e a religião tradicional, afirmando que pensar é uma forma de “doença”. No Poema V, ele escreve: “Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? / A de serem verdes e copadas e de terem ramos.”

Simplicidade e Objetividade: Ele busca uma poesia despojada, que imita a fala natural e direta, como um “guardador de rebanhos” contemplando o mundo sem pretensões.

Estilo de Caeeiro: a linguagem de Caeiro é clara e coloquial, com versos livres e imagens concretas, evitando ornamentos literários.

Temas do Pastor Amoroso

Amor e Perda: Caeiro descreve o amor de forma direta, com um tom mais emocional. Após o abandono da amada, ele retorna à contemplação da natureza, como em “Quando eu não te tinha” (Poema VI), onde compara o amor à natureza mas reafirma a supremacia da realidade objetiva.

Conflito com sua Filosofia: O amor introduz subjetividade, que Caeiro tenta reconciliar com sua visão prática do mundo.

Estilo

Os poemas mantêm a simplicidade, mas apresentam um tom mais lírico e melancólico, refletindo a experiência amorosa.

Temas dos poemas Inconjuntos

Aceitação da Morte: Caeiro encara a morte com serenidade, vendo-a como parte natural da vida. Poemas como “Se eu morrer muito novo” expressam tranquilidade diante do fim.

Unidade com a Natureza: Ele reforça a ideia de que o homem é parte do mundo natural, sem necessidade de transcendência ou significados além do que é percebido.

Estilo: similar a O Guardador de Rebanhos, com versos livres, linguagem direta e imagens sensoriais, mas com um tom reflexivo em alguns momentos.

Características Gerais de Caeiro

Filosofia do “Não-pensar: para Caeiro, pensar obscurece a experiência direta do mundo. Ele prefere “ver” e “sentir” a realidade, como em “Pensar incomoda como andar à chuva” (Poema IX, *O Guardador de Rebanhos*).

Paganismo Naturalista: sua visão é quase panteísta, vendo a natureza como suficiente em si mesma, sem deuses ou significados superiores.

Influência Fictícia: Pessoa criou Caeiro como um “mestre” de outros heterônimos, entre eles, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, que admiram sua simplicidade.

Exemplo Representativo: um trecho do Poema VIII de O Guardador de Rebanhos ilustra bem a essência da obra de Caeiro, onde ele privilegia a pureza da observação direta e a beleza do mundo natural sem adornos metafísicos:

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
(…)

A poesia de Alberto Caeiro nos convida a um retorno à simplicidade e à contemplação do mundo ao nosso redor, oferecendo uma perspectiva única e profunda sobre a vida e a natureza.

Meu poema preferido de Caeeiro é “Se eu pudesse”

Se eu pudesse

XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

(Caeeiro, o poeta da natureza).

Shirlei Florenzano Figueira
Shirlei Florenzano, advogada e professora da Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA, mestra em Direito pela UFPA, Membro da Academia Artística e Literária Obidense, apaixonada por Literatura e mãe do Lucas.

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